A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) divulgou nesta quinta-feira (15) o primeiro levantamento oficial da safra de grãos 2026/2027. A produção nacional deve alcançar 367,4 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação ao ciclo anterior. O resultado é sustentado pela expansão da área cultivada, que deve crescer 2,3%, chegando a 85,4 milhões de hectares.
A soja permanece como principal cultura, com previsão de 181,6 milhões de toneladas, crescimento de 0,7%. Mato Grosso e Paraná concentram mais de 60% da área semeada. O milho deve registrar avanço mais expressivo, com produção estimada em 148 milhões de toneladas (+2,4%), impulsionada pela expansão de 4,9% na área plantada e pelo aumento da demanda para produção de etanol (+6,6%).
O feijão deve manter estabilidade, com colheita de 2,9 milhões de toneladas distribuídas em três safras anuais. Já o arroz deve apresentar retração de 2,9%, impactado pelo excesso de chuvas na Região Sul. O trigo deve sofrer queda significativa de 27,2%, totalizando 5,7 milhões de toneladas, reflexo da redução da área e da produtividade.
No comércio exterior, as exportações de soja devem atingir 117,97 milhões de toneladas (+1,5%), enquanto o milho deve alcançar 43,9 milhões de toneladas. O arroz, por sua vez, terá redução de 17,4% nas exportações, priorizando o abastecimento interno.
O fenômeno El Niño deve influenciar diretamente o desempenho das lavouras. A Região Sul deve enfrentar chuvas acima da média, com risco de inundações e temporais. Norte e Nordeste devem registrar estiagens prolongadas, enquanto Centro-Oeste e Sudeste devem lidar com ondas de calor extremo.
As projeções reforçam o papel do Brasil como um dos maiores produtores de grãos do mundo, mas indicam a necessidade de atenção às condições climáticas que podem alterar o desempenho das principais culturas ao longo do ciclo.