Os Estados Unidos revogaram nesta terça-feira (4) o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da crise diplomática entre os dois países. A medida foi anunciada pelo governo norte-americano como resposta à demora do Brasil em conceder o agrément para Daniel Perez, indicado como novo embaixador dos EUA em Brasília.
Segundo fontes do governo americano ouvidas pela BBC News Brasil, a revogação ocorreu porque o Brasil ainda não autorizou formalmente a nomeação. O Itamaraty, por sua vez, afirmou que não pretendia barrar o indicado, mas acusou os EUA de romperem o protocolo diplomático ao anunciar o nome antes de solicitar oficialmente o agrément.
Escalada de tensões
A relação entre os dois países já vinha se deteriorando nas últimas semanas, após o Brasil negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano que participariam de reuniões em Brasília sobre integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Em nota, o Itamaraty repudiou a decisão, classificou como falsas as justificativas apresentadas por Washington e acusou os EUA de tentar interferir nas eleições brasileiras.
Repercussão
Especialistas em relações internacionais avaliam que a medida representa uma escalada sem precedentes. O ex-embaixador Rubens Barbosa considerou a revogação do visto um “precedente perigoso”, enquanto Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), classificou a reação do governo Trump como desproporcional.
Próximos passos
Fontes americanas indicaram que novas medidas diplomáticas poderão ser adotadas caso o Brasil continue sem autorizar a nomeação de Daniel Perez. Apesar da revogação, Maria Luiza Ribeiro Viotti não foi declarada persona non grata nem expulsa dos EUA, mas precisará solicitar um novo visto caso deixe o país.