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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto Paulo Pinto/Fotos Publicas

Brasil mantém índice alarmante de analfabetismo funcional, revela Inaf 2025

O Brasil segue enfrentando um persistente desafio educacional: o analfabetismo funcional. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2025, divulgado em 5 de maio, cerca de 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não possuem habilidades suficientes de leitura, escrita e matemática para compreender textos simples ou resolver operações cotidianas. Esse índice permanece praticamente inalterado desde 2018, mostrando que, apesar de esforços pontuais, o problema continua profundamente enraizado no sistema educacional brasileiro.

Um dos pontos que mais preocupam os especialistas é o crescimento do analfabetismo funcional entre os jovens. A taxa entre pessoas de 15 a 29 anos subiu de 14% em 2018 para 16% em 2024, aumento atribuído em parte aos impactos da pandemia de COVID-19, que provocou o fechamento prolongado das escolas e a interrupção do aprendizado formal para milhões de estudantes. Esse retrocesso agrava o risco de exclusão social e limita oportunidades para uma geração inteira.

O estudo também destaca as desigualdades raciais e socioeconômicas que atravessam o país. Entre os brancos, 28% são considerados analfabetos funcionais, enquanto 41% alcançam o nível de alfabetismo consolidado. Já entre negros e pardos, o índice de analfabetismo funcional sobe para 30%, com apenas 31% no nível consolidado. Os números são ainda mais graves entre indígenas e amarelos, onde 47% estão no nível funcional mais baixo e apenas 19% atingem o domínio pleno das habilidades.

O impacto no mercado de trabalho é expressivo: 27% dos trabalhadores brasileiros são analfabetos funcionais, 34% possuem apenas alfabetismo elementar e apenas 40% estão no nível consolidado. Mesmo entre aqueles com ensino superior, 12% não dominam completamente as habilidades básicas de leitura e escrita, o que compromete a produtividade e a capacidade de inovação da força de trabalho nacional.

Diante desse cenário, especialistas como Roberto Catelli, coordenador da área de educação de jovens e adultos da Ação Educativa, reforçam a urgência da implementação de políticas públicas eficazes. Segundo ele, a falta de domínio pleno da leitura e escrita é uma limitação severa que perpetua ciclos de pobreza e exclusão social. Ele defende a necessidade de investimentos consistentes em educação de qualidade e em políticas de redução das desigualdades, para que o Brasil avance de forma sustentável e inclusiva nos próximos anos.

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