Uma mulher morreu em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, após utilizar de forma irregular uma caneta emagrecedora adquirida sem prescrição médica. O caso ocorreu na sexta-feira, 1º de maio, depois da aplicação da quinta dose de tirzepatida, substância contrabandeada do Paraguai e aplicada por uma pessoa sem formação na área da saúde. Pouco tempo após o procedimento, a vítima passou mal e foi encontrada caída dentro de casa.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou um quadro crítico, com pressão arterial extremamente baixa e arritmia cardíaca. A paciente sofreu três paradas cardíacas ainda na unidade de pronto atendimento e, mesmo após reanimação e transferência para um hospital da região, voltou a apresentar novas paradas, não resistindo às complicações.
A tirzepatida, assim como a semaglutida, pertence ao grupo de medicamentos agonistas de GLP-1, indicados para o tratamento de diabetes e obesidade. Apesar de sua eficácia, o uso exige prescrição médica e acompanhamento rigoroso, já que os riscos aumentam significativamente quando administrados sem orientação profissional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou recentemente as regras para o controle desses medicamentos. A venda só pode ser feita mediante receita em duas vias, com retenção obrigatória na farmácia e validade máxima de 90 dias. A medida busca reduzir os riscos de eventos adversos, que têm se multiplicado em casos de uso inadequado e fora das indicações aprovadas.
Autoridades alertam ainda para o crescimento da entrada irregular desses produtos no Brasil, muitas vezes sem qualquer controle sanitário, como no caso da tirzepatida contrabandeada. Embora a prescrição “off label” seja permitida quando feita por médicos, é indispensável avaliação clínica e consentimento do paciente. O episódio evidencia os perigos do uso indiscriminado de medicamentos e reforça a necessidade de fiscalização e conscientização sobre os riscos à saúde.