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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Brasil não atinge meta de alfabetização infantil aponta MEC

O Brasil não conseguiu alcançar a meta de alfabetização de crianças de 7 anos em 2024, segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira, 11 de julho de 2025. O Indicador Criança Alfabetizada revelou que 59,2% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental em escolas públicas sabem ler textos simples, escrever bilhetes e compreender tirinhas e histórias em quadrinhos, um aumento de 3,2 pontos percentuais em relação aos 56% de 2023. No entanto, o índice ficou abaixo da meta governamental de 60%. O ministro da Educação, Camilo Santana, atribuiu o resultado às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, interrompendo as aulas por semanas.

O Rio Grande do Sul, que registrou uma queda de 63,4% para 44,6% no índice de crianças alfabetizadas, foi apontado como o principal fator para o não cumprimento da meta nacional. “O Brasil atingiria a meta se o Rio Grande do Sul tivesse resultado similar ao de 2023. Foi uma situação atípica, com crianças sem acesso à sala de aula por longos períodos”, declarou Santana em entrevista coletiva. As enchentes, que deixaram 179 mortos e afetaram 2,4 milhões de pessoas no estado, segundo a Defesa Civil, comprometeram o calendário escolar em diversas cidades.

O Indicador Criança Alfabetizada, criado em 2023, avalia anualmente cerca de 2 milhões de estudantes do 2º ano do ensino fundamental em 42 mil escolas públicas. O exame, baseado em testes estaduais padronizados com 16 questões de múltipla escolha, duas de resposta construída e uma de produção textual, considera uma criança alfabetizada quando atinge 743 pontos. Para ser classificada como tal, ela deve relacionar sons e letras, ler textos simples, escrever bilhetes (mesmo com desvios ortográficos), entender histórias em quadrinhos e localizar informações em textos curtos.

O Ceará liderou o ranking nacional, com 85,31% das crianças alfabetizadas, seguido por Goiás (78,2%) e Minas Gerais (74,8%). São Paulo, embora tenha melhorado de 51,91% para 58,13%, superando a meta estadual de 56%, ficou abaixo da média nacional. A capital paulista, alvo de críticas na campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em 2024, avançou de 37,9% para 48,25%, superando a meta municipal de 44%. Os piores desempenhos foram registrados na Bahia, com 36% (queda em relação a 2023), e em Sergipe, com 38,4%.

A metodologia do indicador tem gerado debate. Especialistas criticam a utilização de exames estaduais, que variam em formato e aplicação, dificultando comparações. “O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), embora amostral, oferece maior consistência para avaliar a alfabetização nacional”, afirmou a pesquisadora em educação Maria Helena Guimarães, em entrevista à Agência Brasil. Após pressão de especialistas e da imprensa, o MEC divulgou os dados do Saeb de 2023, que indicaram 49,3% de crianças alfabetizadas, abaixo dos 56% reportados pelo Criança Alfabetizada no mesmo ano.

O governo defendeu o novo indicador, argumentando que ele reflete dados censitários, incluindo todos os alunos do 2º ano, e é realizado anualmente, ao contrário do Saeb, que ocorre a cada dois anos. O MEC também destacou que realizou parametrizações para garantir comparabilidade entre os exames estaduais. Apesar do avanço em relação a 2023, quando o índice nacional cresceu 20 pontos percentuais em relação aos 36% de 2021, o resultado de 2024 é apenas 4,2 pontos maior que o de 2019 (55%), antes da pandemia.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, lançado em 2023 com investimento de R$ 1 bilhão, busca universalizar a alfabetização até 2026. O programa inclui formação de professores, distribuição de materiais didáticos e incentivos a estados e municípios. No entanto, desafios como desigualdades regionais e interrupções no calendário escolar, como as enchentes no Sul, dificultam o progresso. “Precisamos de políticas contínuas e maior apoio às redes municipais, que concentram 70% das matrículas do ensino fundamental”, afirmou o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima.

O MEC anunciou que intensificará o apoio a estados com desempenho abaixo da média, como Bahia e Sergipe, com repasses adicionais para formação docente e infraestrutura escolar. Enquanto isso, o debate sobre a metodologia de avaliação e a transparência dos dados deve continuar, com especialistas cobrando maior integração entre os indicadores nacionais para garantir uma fotografia mais precisa do cenário educacional brasileiro.

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