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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

STF inicia julgamento de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (2), às 9h, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete ex-integrantes do governo, acusados de participação em uma trama golpista para reverter o resultado das eleições presidenciais de 2022. O grupo compõe o núcleo central da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra o Estado Democrático de Direito.

O julgamento ocorre na Primeira Turma do STF e está distribuído em oito sessões, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. A expectativa é que as primeiras sessões sejam dedicadas às manifestações da acusação e das defesas, com os votos dos ministros sendo apresentados nas etapas seguintes. As penas, em caso de condenação, podem ultrapassar 30 anos de prisão.

Réus e acusações

Os réus são:

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI)
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e candidato a vice na chapa de 2022
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro

Todos respondem por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Golpe de Estado
  • Dano qualificado pela violência e grave ameaça
  • Deterioração de patrimônio tombado

O deputado federal Alexandre Ramagem teve parte das acusações suspensas, conforme previsto na Constituição, e responde apenas por três crimes: golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Primeira sessão e rito processual

A sessão inaugural foi aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin. Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentou o relatório com o histórico do processo, desde as investigações até as alegações finais.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, teve até duas horas para apresentar a acusação. Na sequência, os advogados dos réus foram chamados à tribuna para sustentações orais, com tempo de até uma hora cada. A sessão foi interrompida para almoço às 12h e retomada às 14h.

Além de Moraes e Zanin, integram a Primeira Turma os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luiz Fux. A votação será iniciada nas próximas sessões, com Moraes sendo o primeiro a se manifestar. Ele poderá propor deliberação imediata sobre questões preliminares ou incluí-las na análise do mérito.

A condenação ou absolvição será decidida por maioria simples: três dos cinco ministros.

Elementos da denúncia

A denúncia da PGR inclui a suposta elaboração do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o sequestro ou homicídio de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Também consta a produção da chamada “minuta do golpe”, documento que teria sido de conhecimento de Bolsonaro e serviria para justificar medidas como estado de defesa e estado de sítio, com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito.

Os réus são ainda apontados como articuladores ou apoiadores dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.

O julgamento é considerado um marco na história da Justiça brasileira e pode estabelecer precedentes sobre a responsabilização de autoridades por atentados à democracia.

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