Santa Catarina registrou mais de 154 mil acidentes de trânsito entre janeiro e julho de 2026, conforme dados do painel de estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SC). No período, a média mensal ficou acima de 20,6 mil ocorrências, número 3,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
O índice também está 17% acima da média mensal de acidentes registrada no estado ao longo dos últimos cinco anos. Segundo os dados, as ocorrências resultaram em 1.101 mortes entre janeiro e julho deste ano.
Fator humano é apontado como principal causa
Para o chefe de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Santa Catarina, Adriano Fiamoncini, os erros humanos estão relacionados à maior parte dos acidentes. Segundo ele, esse índice gira em torno de 98% a 99% dos casos, já que o fator mecânico dos veículos tem contribuição cada vez menor, e a conduta humana é o que leva, atualmente, à maior parte dos acidentes.
Fiamoncini também relaciona o crescimento da frota, a urbanização e o trânsito mais intenso à pressa dos motoristas para chegar ao destino. Segundo ele, esse comportamento pode contribuir para atitudes que resultam em acidentes graves e mortes.
Motociclistas concentram mais de um terço das mortes
Dos 1.101 óbitos registrados no trânsito catarinense até julho, 420 ocorreram em acidentes envolvendo motocicletas e motonetas, o que representa mais de um terço das mortes do período.
O presidente da Coordenadoria de Resgate Veicular do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, tenente-coronel Bruno Azevedo Lisboa, destaca que os motociclistas ficam mais expostos em caso de colisões. Segundo ele, as ocorrências envolvendo motos são frequentes, principalmente nos grandes centros, e o para-choque, nesses casos, acaba sendo o próprio condutor.
Entre os fatores associados aos acidentes com motocicletas, o bombeiro cita excesso de velocidade, trânsito intenso, circulação entre veículos e ultrapassagens em locais proibidos. Ele ressalta ainda que a ausência da proteção oferecida pela estrutura dos carros aumenta a exposição dos motociclistas a lesões.
O número de mortes registrado entre janeiro e julho de 2026 supera em 8% a média mensal de óbitos observada no trânsito catarinense nos últimos cinco anos.