A temporada de pinhão em Santa Catarina começou oficialmente nesta quarta-feira (1º de abril), conforme determina a Lei Estadual nº 15.457, de 17 de janeiro de 2011. A colheita, que se estende pelos meses mais frios do ano, promete reforçar tradições culturais, aquecer a gastronomia típica e gerar renda para milhares de famílias na Serra Catarinense.
De acordo com levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a safra de 2026 deve totalizar cerca de 3,7 mil toneladas de pinhão nos 18 municípios serranos. O volume representa uma redução de aproximadamente 32% em relação a 2025, quando foram colhidas 5,4 mil toneladas e o setor movimentou R$ 32 milhões.
Apesar da menor oferta, a expectativa é de que o preço pago ao produtor se mantenha ou até aumente em comparação ao ano anterior, quando a média ficou em R$ 6,44 por quilo.
Cerca de 34 mil famílias rurais estão cadastradas na região serrana, e aproximadamente 10 mil delas — ou 30% do total — têm o pinhão como parte significativa de sua renda. Durante as próximas semanas, essas famílias se dedicarão à colheita, atividade que envolve subir nas araucárias para derrubar as pinhas.
Painel, município localizado a 25 km de Lages, é o maior produtor de pinhão do estado. A previsão para esta safra é de cerca de 1,2 mil toneladas, o que corresponde a praticamente um terço da produção regional. O extrativismo envolve cerca de 80% das famílias rurais da cidade, que ostenta o título de Capital Catarinense do Pinhão, oficializado pela Lei Estadual nº 18.638, de 8 de fevereiro de 2023. A cidade também disputa o reconhecimento como Capital Nacional do Pinhão.
Apoio técnico e segurança
Todos os produtores da Serra Catarinense contam com o suporte técnico da Epagri. A instituição oferece orientação sobre boas práticas, acesso a políticas públicas e tecnologias para aumentar a produtividade.
“Durante a colheita do pinhão, orientamos muito os produtores em relação à segurança ao subirem nas árvores, já que é uma atividade arriscada. Mas a Epagri está presente o ano todo, em todo o Estado, prestando todo o tipo de apoio aos produtores catarinenses”, explica José Márcio Lehmann, gerente regional da Epagri em Lages.
A temporada de pinhão representa, além de tradição cultural, uma importante oportunidade econômica e de valorização da identidade serrana de Santa Catarina. A semente da araucária é ingrediente central em pratos típicos como o pinhão cozido, farofas, bolos e doces, fortalecendo o turismo gastronômico na região durante o outono e o inverno.