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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Preço do café recua após 18 meses de altas consecutivas

O preço do café moído registrou uma queda de 1,01% em julho, interrompendo uma sequência de 18 meses de altas consecutivas, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, 12 de agosto. Essa é a primeira redução desde dezembro de 2023, quando o preço caiu apenas 0,23%. Apesar do recuo, o café ainda acumula alta de 41,46% em 2025 e de 70,51% nos últimos 12 meses, sendo o segundo item com maior impacto na inflação anual, com 0,30 ponto percentual, atrás apenas das carnes, que subiram 23,34% e contribuíram com 0,54 ponto percentual.

A queda observada em julho está diretamente associada ao início da colheita, que elevou a oferta do produto no mercado, conforme explicou Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IBGE. Ele destacou que o aumento da disponibilidade de café no campo reduz a pressão da demanda, contribuindo para a baixa nos preços. Gonçalves descartou qualquer relação com a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que entrou em vigor apenas em 6 de agosto, após o período analisado. A maior oferta interna, impulsionada pela colheita que ocorre entre março e setembro, com pico em junho e julho, pode continuar a pressionar os preços para baixo nos próximos meses, especialmente se os produtores brasileiros enfrentarem dificuldades para redirecionar exportações impactadas pela tarifa americana.

Nos últimos 18 meses, o preço do café foi impulsionado por uma combinação de fatores climáticos adversos e crescimento da demanda global. Eventos como secas e geadas prejudicaram safras no Brasil, maior produtor mundial, enquanto o aumento do consumo, especialmente na China, elevou a pressão sobre os preços. Dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) mostram que o valor médio do quilo do café moído saltou de R$ 34,46 em junho de 2024 para R$ 66,70 em junho de 2025, uma alta de 93,56%. O pico inflacionário ocorreu em fevereiro de 2025, com aumento de 10,77% em um único mês, o maior registrado em 12 meses desde o Plano Real, em 1994.

Embora a queda de julho traga alívio, especialistas alertam que os preços do café seguem elevados para o consumidor brasileiro. A tendência de redução deve ser gradual e dependerá de fatores como a continuidade da oferta interna e a capacidade dos produtores de encontrar mercados alternativos às exportações para os EUA. Economistas já previam um alívio nos preços no segundo semestre de 2025, impulsionado pelo período de colheita. Para os consumidores, isso pode significar promoções e preços mais acessíveis nos próximos meses, mas um retorno aos patamares anteriores a 2023 é improvável no curto prazo. A combinação de oferta sazonal e variáveis globais continuará a influenciar o custo do café, item essencial na cesta de consumo dos brasileiros.

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