A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) está prestes a encerrar o uso de câmeras corporais, após recomendação do Estado-Maior da corporação. A medida depende apenas da assinatura do comandante geral, coronel Aurélio Pelozato da Rosa, para entrar em vigor. O programa, iniciado em 2019 em parceria com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, foi pioneiro no Brasil, mas atualmente enfrenta problemas operacionais e de financiamento.
O despacho oficial determina o recolhimento das câmeras e o início de um estudo para encontrar “soluções tecnológicas mais adequadas” e alternativas para financiar um novo projeto de monitoramento. Segundo o coronel Jailson Franzen, chefe do Estado-Maior da PMSC, o setor de tecnologia da corporação foi convidado pelo Ministério da Justiça a integrar um Grupo de Trabalho para discutir um modelo nacional de câmeras corporais.
Santa Catarina conta com a maior cobertura de câmeras corporais do país, com 2.245 dispositivos para um efetivo de 8.776 policiais, consolidando-se como um estado pioneiro nessa tecnologia. Contudo, discussões internas sobre a obsolescência do projeto já vinham ocorrendo. Em março de 2024, o coronel Alessandro José Machado mencionou os altos custos de manutenção e os problemas técnicos como fatores que exigiam um novo modelo de equipamento.
No entanto, a falta de transparência no andamento das análises sobre o novo modelo, especialmente desde junho, levantou questionamentos. A decisão de encerrar o uso das câmeras gerou debates dentro da corporação. Alguns policiais resistem à medida, alegando a importância do programa, enquanto outros apoiam a decisão, citando problemas recorrentes, como falta de manutenção, armazenamento inadequado das imagens e instabilidade no funcionamento das câmeras.
A medida coloca a PMSC diante do desafio de encontrar alternativas que possam garantir a modernização tecnológica sem comprometer a eficiência das operações de monitoramento.