A maioria dos moradores do estado do Rio de Janeiro é favorável ao endurecimento das penas contra crimes relacionados a organizações criminosas. Segundo levantamento divulgado pela Quaest nesta segunda-feira (3), 85% dos entrevistados apoiam o aumento da pena de prisão para condenados por homicídio a mando de facções. Além disso, 72% concordam com a proposta de enquadrar o crime organizado como organização terrorista.
A pesquisa foi realizada nos dias 30 e 31 de outubro, logo após a megaoperação policial contra o COMANDO VERMELHO nos complexos do Alemão e da Penha, na cidade do Rio, que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais. O estudo ouviu 1.500 moradores com 16 anos ou mais e tem margem de erro de três pontos percentuais. A iniciativa foi encomendada pela GENIAL INVESTIMENTOS.
Medidas de segurança recebem apoio majoritário
Outras propostas relacionadas à segurança pública também foram bem recebidas pela população fluminense:
- Retirada do direito a visitas íntimas para presos ligados a facções: 62%
- Obrigatoriedade de troca de informações entre policiais sobre organizações criminosas: 55%
- Proibição das “saidinhas” mesmo para presos com bom comportamento: 53%
- Aprovação da PEC DA SEGURANÇA: 52%
- Criação de leis estaduais específicas para punições: 48%
- Facilitação do acesso a armas de fogo: apenas 24% favoráveis
Avaliação da operação e percepção de segurança
A operação policial foi aprovada por 64% dos entrevistados, sendo considerada um sucesso por 58%. No entanto, 52% afirmaram que o Rio de Janeiro está menos seguro após a ação. A maioria (62%) acredita que o governo estadual não tem capacidade de combater o crime organizado sozinho, enquanto 59% defendem que o governo federal decrete uma GARANTIA DE LEI E ORDEM (GLO), como ocorreu em 2018.
A criação de um escritório de emergência para combate ao crime organizado foi apoiada por 94% dos entrevistados. Já 73% acreditam que operações como a realizada devem ocorrer em comunidades.
Percepções sobre os governos estadual e federal
A atuação do governo federal no combate ao crime organizado foi considerada insuficiente por 53% dos entrevistados. Apenas 14% avaliam que há ajuda significativa. Quanto à motivação do governador CLÁUDIO CASTRO para ordenar a operação, 54% acreditam que foi para combater o crime, enquanto 40% apontam intenção de ganhar popularidade.
Crimes que mais preocupam os fluminenses
Entre os tipos de crime que mais preocupam os moradores do estado, destacam-se:
- Pedofilia: 21%
- Domínio das facções nas favelas: 16%
- Homicídio: 15%
- Assalto em vias públicas e ônibus: 12%
- Tráfico de drogas: 10%
Repercussão de fala presidencial
A pesquisa também abordou a declaração do presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, feita durante entrevista na Indonésia, na qual afirmou que traficantes são vítimas dos usuários de drogas. A fala foi conhecida por 61% dos entrevistados. Para 60%, trata-se de uma opinião sincera; 33% consideram que foi um mal-entendido.