Um médico clínico-geral de São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina, foi sentenciado a mais de 8 anos de prisão em regime fechado por violação sexual mediante fraude, após abusar de seis pacientes durante consultas em uma clínica particular. A condenação veio após denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que detalhou os crimes ocorridos entre maio de 2019 e fevereiro de 2020. O acusado enganava as vítimas, todas mulheres, induzindo-as a se submeterem a exames desnecessários que serviam de pretexto para atos libidinosos, aproveitando-se da confiança depositada em sua autoridade profissional.
Entre os casos relatados, uma mulher que buscava confirmar uma gravidez foi submetida a um exame de toque injustificado. O médico pediu que ela removesse a calça e, deitada na maca, introduziu os dedos em seu órgão genital, sem qualquer necessidade clínica. Outra paciente, com queixas de dores estomacais, enfrentou abusos em duas consultas distintas, sendo tocada de forma inadequada sob a alegação de procedimentos médicos. Três vítimas descreveram situações parecidas, com toques impróprios mascarados como parte do atendimento, enquanto uma sexta mulher, em exame periódico exigido pelo empregador, teve a blusa levantada e sofreu auscultações indevidas, longe de qualquer padrão ético ou técnico.
A sentença não se limitou à prisão: o médico também foi condenado a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a cada uma das seis vítimas, reconhecendo o trauma causado por sua conduta. O caso expõe a gravidade do abuso de poder no ambiente médico e reforça a importância de denúncias para coibir tais práticas, trazendo alívio às vítimas após anos de busca por justiça.