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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Justiça determina internação provisória de adolescente por ataque em escola no RS

A Justiça do Rio Grande do Sul determinou, na noite de terça-feira, 8 de julho de 2025, a internação provisória de um adolescente de 16 anos responsável pelo ataque à Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, no município de Estação, na região Norte do estado. A decisão, proferida pela juíza Daniela Conceição Zorzi, da 2ª Vara Judicial da Comarca de Getúlio Vargas, estabelece um período inicial de 45 dias, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O processo tramita em segredo de justiça, devido ao envolvimento de menores.

O ataque, ocorrido por volta das 10h de terça-feira, resultou na morte de Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos, aluno do terceiro ano do ensino fundamental, e deixou outras três pessoas feridas: duas meninas de 8 anos e uma professora de 34 anos. Segundo a Brigada Militar, o adolescente, morador de Estação e sem antecedentes criminais, foi imobilizado por populares e apreendido no local. A Polícia Civil investiga as motivações do crime, que chocou a cidade de 5.688 habitantes, localizada a 340 quilômetros de Porto Alegre.

O adolescente entrou na escola, situada no centro de Estação, sob o pretexto de entregar um currículo. Após solicitar acesso ao banheiro, ele invadiu uma sala de aula do terceiro ano, armado com dois facões e rojões. De acordo com o prefeito Geverson Zimmermann, o jovem jogou bombinhas no chão para assustar as vítimas antes de desferir golpes de faca. Vitor foi atingido por 11 facadas, principalmente nas costas, e não resistiu, apesar do atendimento médico. As duas meninas sofreram cortes na cabeça; uma permanece internada em estado estável no Hospital Santa Terezinha, em Erechim, enquanto a outra recebeu alta do Hospital São Roque, em Getúlio Vargas. A professora, ferida ao tentar proteger os alunos, também está internada em Erechim, sem risco de morte.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) representou no mesmo dia por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio e tentativa de homicídio. O promotor Alexandre Vinícius Murussi destacou a gravidade do caso: “A internação provisória é necessária diante da violência empregada, do risco à coletividade e da repercussão social.” A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Getúlio Vargas, busca esclarecer as motivações do adolescente, que fazia acompanhamento psiquiátrico desde 2024 e teve uma consulta na véspera do ataque. O delegado Jorge Pierezan afirmou que, até o momento, a hipótese é que o jovem agiu sozinho, mas possíveis influências externas, como conteúdos violentos na internet, estão sendo analisadas.

A tragédia abalou a comunidade de Estação, que nunca havia registrado um episódio semelhante. O velório de Vitor começou na tarde de terça-feira na Capela Velatória Gruber, em Getúlio Vargas, com sepultamento marcado para as 14h desta quarta-feira, 9 de julho, no Cemitério Municipal da cidade. A Prefeitura de Estação suspendeu as aulas em toda a rede municipal por tempo indeterminado e criou um espaço de acolhimento na Casa da Cultura, com psicólogos e assistentes sociais para apoiar alunos, familiares e funcionários. “Estamos mobilizados para prestar assistência contínua à comunidade escolar”, declarou a administração em nota.

O governador Eduardo Leite manifestou solidariedade às vítimas, reforçando que o caso não deve ser naturalizado. “É uma tragédia que exige resposta firme das autoridades e apoio à comunidade”, afirmou. O prefeito Zimmermann, em entrevista à Rádio Gaúcha, expressou perplexidade: “Conheço a família do jovem, que está tão abalada quanto nós. Jamais imaginaríamos algo assim.” Ele destacou que a escola contava com segurança reforçada desde ataques anteriores em Santa Catarina, mas a entrada do adolescente não levantou suspeitas iniciais.

O ataque em Estação é o segundo registrado em escolas do Rio Grande do Sul em 2025, conforme dados da Polícia Civil. Um estudo da Unesp e Unicamp aponta que, desde 2001, o Brasil registrou 42 ataques em escolas, com 64,28% deles após março de 2022. Em 2023, foram 12 casos, o maior número anual, seguido por cinco em 2024. A recorrência tem impulsionado debates sobre segurança escolar e saúde mental. O MPRS, por meio do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, emitiu um alerta à imprensa e à comunidade, recomendando não divulgar imagens ou informações que possam glorificar o agressor ou inspirar novos atos violentos. A comunidade de Estação, em luto, clama por justiça e medidas para prevenir futuras tragédias.

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