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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Oeste Mais

júri popular em capinzal julga mulher acusada de matar companheiro e ocultar corpo em freezer

O júri popular de Claudia Fernanda Tavares foi retomado na manhã desta sexta-feira (29), na Câmara de Vereadores de Capinzal, onde a ré é acusada de matar o companheiro Valdemir Hoeckler, de 52 anos, em novembro de 2022. O julgamento havia sido interrompido na noite anterior após Claudia passar mal durante o depoimento. O caso, que mobiliza a comunidade local, envolve acusações de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Durante o depoimento, iniciado por volta das 8h30, Claudia detalhou como teria executado o crime. Segundo ela, a vítima foi medicada com dois comprimidos de Zolpidem — substância utilizada para tratar insônia — inseridos em cápsulas que Valdemir já costumava tomar. Após o homem adormecer, a ré relatou ter amarrado os pés e mãos dele, colocado um pano e uma sacola plástica sobre sua cabeça e pressionado até que ele parasse de se mover.

“Naquele momento eu vi que eu ia morrer e eu decidi tirar a vida dele”, declarou Claudia, afirmando que temia ser morta pelo companheiro nos dias seguintes. Após o ato, ela tentou ocultar o corpo no freezer da residência, utilizando uma cadeira para posicionar Valdemir e cobrir o corpo com lençóis e objetos.

Histórico de relacionamento e depoimentos

Claudia e Valdemir mantinham um relacionamento há cerca de 20 anos e tinham uma filha em comum. A defesa sustenta que a ré foi vítima de violência doméstica durante todo o período de convivência. Testemunhas apresentadas pela defesa relataram episódios de agressão, controle emocional e medo constante vivido por Claudia.

Entre os depoentes favoráveis à ré estão amigas próximas, uma diretora de escola e a filha do casal, Gabriela Cristina Tavares Hoeckler. Já os depoimentos favoráveis à vítima foram prestados por policiais civis e militares, além de familiares e amigos de Valdemir.

O Ministério Público acusa Claudia de homicídio qualificado por asfixia e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A ré havia sido colocada em liberdade em agosto de 2023, mas retornou ao Presídio Feminino de Chapecó em 31 de junho deste ano, após o MP recorrer da decisão que revogava a prisão preventiva.

Expectativa da defesa e andamento do julgamento

O advogado de Claudia, Matheus Molin, afirma que a expectativa é demonstrar aos jurados que a ré agiu sob forte pressão psicológica e em contexto de violência doméstica. “Claudia sofreu todos os tipos de violência durante os 20 anos de relacionamento, além de ter sido privada do convívio com a filha”, declarou.

O julgamento segue com a apresentação de provas e depoimentos, e deverá ser concluído nos próximos dias. A sentença será decidida por um corpo de jurados, composto majoritariamente por mulheres, conforme divulgado pela organização do júri.

O caso tem gerado grande repercussão em Capinzal e região, com manifestações públicas pedindo justiça e liberdade para a ré. Cartazes e camisetas com mensagens de apoio foram observados nas proximidades do local do julgamento.

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