O preço da gasolina em Santa Catarina segue praticamente estável nas primeiras semanas de 2026, mesmo após a redução anunciada pela Petrobras no fim de janeiro. Segundo os levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do combustível mais consumido pelos motoristas catarinenses permanece em torno de R$ 6,50 há cinco semanas consecutivas. O dado mais recente aponta R$ 6,54, exatamente o mesmo da semana anterior e apenas dois centavos abaixo do patamar registrado logo após o reajuste do ICMS aplicado pelos estados no início do ano.
A Petrobras havia comunicado uma queda de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, medida que gerou expectativa de alívio para os consumidores. No entanto, até agora, o impacto não se refletiu de forma significativa nas bombas. De acordo com Júlio César Zimmermann, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Blumenau e Região (Sinpeb), o período de entressafra do etanol é um dos principais fatores que impedem uma redução mais expressiva. Desde agosto, a mistura obrigatória de etanol na gasolina passou de 27% para 30%, aumentando o peso do biocombustível na composição final. Como Santa Catarina não é produtor de etanol, o custo de aquisição está mais elevado, o que pressiona os preços.
A análise dos valores médios nas 15 cidades catarinenses monitoradas pela ANP revela comportamentos distintos. Em algumas localidades, como Mafra e São José, houve queda próxima de 3% desde o início do ano. Em Mafra, o preço passou de R$ 6,29 para R$ 6,12, enquanto em São José, após iniciar em R$ 6,76 em janeiro, recuou gradualmente até R$ 6,56. Já em outras regiões, especialmente no Sul do Estado, o reajuste pesou mais. Tubarão registrou alta de 3,3% e Criciúma, de 2,9%, refletindo diretamente o impacto do ICMS.
Segundo Zimmermann, essas variações estão ligadas às características regionais. Em áreas onde o fluxo de veículos diminui nesta época do ano, os postos tendem a oferecer promoções para estimular as vendas. Já em regiões turísticas, como o litoral, a alta demanda durante a temporada de verão contribui para manter os preços elevados. Assim, mesmo com o corte da Petrobras, fatores como o imposto estadual e o encarecimento do etanol seguem determinando o comportamento do mercado.
O cenário evidencia a complexidade da formação dos preços da gasolina em Santa Catarina. Embora a redução nas refinarias tenha criado expectativa de queda, a combinação de tributos, sazonalidade do etanol e dinâmica regional mantém os valores praticamente inalterados, reforçando o desafio para os consumidores que esperam por um alívio no bolso.