As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 11,3% em abril, somando US$ 3,121 bilhões, frente aos US$ 3,517 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. As importações de produtos norte-americanos também caíram, com baixa de 18,1%, passando de US$ 3,780 bilhões para US$ 3,097 bilhões. Com esse resultado, a balança comercial entre os dois países fechou o mês com superávit de US$ 20 milhões para o Brasil.
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), esta foi a nona queda consecutiva nas exportações brasileiras ao mercado norte-americano desde a imposição da sobretaxa de 50% pelo governo dos Estados Unidos em meados de 2025. Apesar da retirada parcial de produtos da lista tarifária no fim do ano passado, cerca de 22% das exportações brasileiras ainda permanecem sujeitas às taxas adicionais. O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, destacou que, embora os números ainda indiquem retração, há sinais de recuperação gradual, já que o Brasil voltou a superar a marca de US$ 3 bilhões em vendas após meses abaixo desse patamar.
Na direção oposta, o comércio com a China apresentou forte crescimento. As exportações brasileiras para o país asiático avançaram 32,5% em abril, alcançando US$ 11,610 bilhões, contra US$ 8,763 bilhões no mesmo período de 2025. As importações também aumentaram, com alta de 20,7%, somando US$ 6,054 bilhões. O saldo positivo garantiu ao Brasil um superávit de US$ 5,56 bilhões no mês. No acumulado de janeiro a abril, as vendas para a China cresceram 25,4%, totalizando US$ 35,61 bilhões, enquanto as importações tiveram leve queda de 0,4%, atingindo US$ 23,96 bilhões. O superávit brasileiro com os chineses no período chegou a US$ 11,65 bilhões.
O setor de petróleo também influenciou os resultados. Em abril, houve recuo de 10,6% no volume exportado, apesar da alta de 23,7% nos preços médios, impactados pela guerra no Oriente Médio. Brandão explicou que a queda está ligada à volatilidade do mercado internacional e não ao imposto de exportação criado pelo governo brasileiro para financiar a redução do preço do diesel. Ele ressaltou que o Brasil mantém competitividade no setor devido ao baixo custo de produção e à forte demanda externa, o que pode favorecer uma retomada já nos próximos meses.
Os dados reforçam a mudança no cenário comercial brasileiro: enquanto as tarifas norte-americanas continuam a limitar o desempenho das exportações, o mercado chinês se consolida como principal destino dos produtos nacionais, garantindo saldos positivos robustos e sustentando o crescimento da balança comercial.