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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Copom mantém Selic em 15% e reforça cautela diante de cenário internacional incerto

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, foi divulgada no último dia da sexta reunião do colegiado em 2025 e confirma a interrupção do ciclo de alta iniciado em setembro do ano passado.

No comunicado oficial, o Copom justificou a manutenção da taxa pela persistência de um ambiente externo incerto, especialmente em função da conjuntura econômica e das políticas adotadas pelos Estados Unidos. O comitê destacou que esse cenário exige “cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”.

Inflação acima da meta e crescimento moderado

No plano doméstico, o Copom reconheceu sinais de moderação na atividade econômica, embora o mercado de trabalho continue apresentando dinamismo. A inflação, por sua vez, permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

“As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência”, diz o comunicado.

Decisão já era esperada pelo mercado

A manutenção da Selic já era amplamente esperada por analistas financeiros, que apontam a necessidade de uma política monetária contracionista para conter as pressões inflacionárias. A taxa de 15% é a mais alta desde julho de 2006 e deve permanecer nesse patamar por um “período bastante prolongado”, segundo o próprio Banco Central.

Na reunião anterior, realizada nos dias 29 e 30 de julho, o Copom já havia optado por manter a taxa, interrompendo o ciclo de alta iniciado em setembro de 2024, que elevou os juros em 4,5 pontos percentuais.

Entenda o papel da Selic

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando está alta, encarece o crédito, desestimula o consumo e favorece a poupança, ajudando a conter a demanda e, consequentemente, os preços. Por outro lado, juros elevados também dificultam a expansão da economia.

Os bancos utilizam a Selic como referência, mas consideram outros fatores na definição das taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando a produção e o consumo. Isso pode aquecer a economia, mas também exige atenção para evitar o descontrole inflacionário.

Próximos passos

A taxa definida nesta reunião valerá pelos próximos 45 dias, até o próximo encontro do Copom. A ata detalhada da decisão será publicada em até quatro dias úteis, com mais informações sobre os cenários considerados pelo comitê.

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