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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens – Direitos reservados ao autor.

Carne, frango e ovos devem ficar mais caros em 2026, aponta estudo da FGV

Um estudo do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro) indica que os preços da carne bovina, do frango e dos ovos devem subir em 2026. A análise considera o ciclo pecuário e o ritmo das exportações como fatores determinantes para o reajuste.

Ciclo pecuário e oferta reduzida

Segundo o pesquisador Felippe Serigati, o aumento decorre da valorização do bezerro, que leva os pecuaristas a manterem mais vacas para reprodução. “O animal, ao invés de virar bife, fica retido para poder produzir bezerros. Aí, temos uma produção menor de carne e, naturalmente, o preço tende a subir”, explicou.

Essa dinâmica reduz a oferta de carne bovina no mercado interno, pressionando os preços e impactando também outras proteínas, como frango e ovos.

Indicadores de inflação

Em outubro, os preços das carnes registraram alta de 0,21% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No acumulado de 12 meses, o aumento foi de 12,24%, puxado principalmente pelo peito (17,04%) e pela capa de filé (16,69%). A picanha, corte tradicional nos churrascos, subiu 7,68% no mesmo período.

Variação acumulada em 12 meses (IPCA)

  • Filé mignon: 8,97%
  • Cupim: 12,20%
  • Alcatra: 14,67%
  • Músculo: 14,32%
  • Acém: 14,27%
  • Peito: 17,04%
  • Capa de filé: 16,69%
  • Costela: 11,63%
  • Picanha: 7,68%

Exportações em alta

Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da Safras & Mercado, destacou que o ciclo pecuário e o ritmo das exportações devem manter os preços elevados. “Se a China mantiver o ritmo de compra, vamos bater recorde de embarques e os preços da carne permanecem altos”, afirmou.

Em outubro de 2025, o Brasil exportou 357 mil toneladas de carne bovina, o maior volume mensal da série histórica, com faturamento de US$ 1,9 bilhão. No acumulado do ano, o país embarcou 2,79 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 14,31 bilhões.

Impacto para o consumidor

Com a valorização da carne bovina, especialistas apontam que outras proteínas também devem sofrer reajustes. “O produtor fica em uma condição mais favorável, mas o consumidor pode encontrar proteínas operando em um patamar de preço mais alto”, concluiu Serigati.

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