O Brasil registrou 43 notificações de intoxicação por bebidas adulteradas com metanol, segundo dados atualizados pelo Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). A maioria dos casos ocorreu em São Paulo, com 10 confirmações, 29 em investigação, uma morte confirmada e outras cinco sob análise. Em Pernambuco, quatro casos estão sob apuração e duas mortes também são investigadas.
Diante do avanço do surto, o Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar os casos em tempo real e coordenar ações emergenciais. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), emitiu uma nota técnica com orientações a fornecedores, bares, restaurantes e plataformas de comércio eletrônico, alertando para o risco sanitário coletivo.
A recomendação oficial é que o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) intensifique fiscalizações, com prioridade para as regiões onde já foram identificadas ocorrências suspeitas. Entre as medidas sugeridas estão a exigência de nota fiscal eletrônica completa, conferência rigorosa no recebimento de produtos, controle de acesso ao estoque e atenção a sinais de adulteração como lacres violados, rótulos com erros de ortografia e odor de solvente.
Em caso de suspeita, os estabelecimentos devem interromper imediatamente a comercialização, isolar os lotes e comunicar a Vigilância Sanitária, os Procons locais e as autoridades competentes. As denúncias devem ser encaminhadas à Senacon pelo e-mail oficial [email protected].
A Polícia Federal instaurou inquérito para rastrear a origem do metanol e identificar possíveis redes clandestinas de distribuição. A Senacon também abriu procedimento administrativo para monitoramento das ocorrências. O Ministério da Saúde determinou que todos os casos suspeitos sejam notificados de forma imediata na rede pública de saúde, especialmente em unidades de urgência e emergência.
O Sistema de Alerta Rápido (SAR) foi ativado para detectar substâncias tóxicas em circulação e divulgar dados atualizados sobre o surto. O metanol é um líquido incolor e altamente tóxico. Quando metabolizado pelo organismo, transforma-se em formaldeído e ácido fórmico, compostos que podem causar cegueira irreversível, falência de órgãos e morte.
Os sintomas iniciais da intoxicação incluem náuseas, vômitos, dor abdominal, tontura e mal-estar, podendo ser confundidos com os de uma ressaca comum. Entre 6 e 24 horas após a ingestão, podem surgir sinais mais graves como visão turva, convulsões, coma e choque metabólico. Em qualquer suspeita, é fundamental procurar atendimento médico imediato.