O Brasil poderá enfrentar a formação de até três novos ciclones extratropicais nas próximas semanas, segundo previsão do climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A estimativa considera o comportamento atmosférico típico do período de transição entre a primavera e o verão, quando a passagem de frentes frias favorece a formação desses sistemas no Atlântico Sul.
De acordo com Aquino, os fenômenos devem atingir principalmente as regiões Sul e Sudeste, embora seus efeitos possam se estender a outras áreas do país, dependendo da intensidade das tempestades e da frente fria associada. “Isso é o esperado”, afirmou o especialista, ao projetar a ocorrência de três ou mais ciclones nos próximos 15 a 20 dias.
Apesar da frequência desses eventos nesta época do ano, o climatologista ressalta que a presença de ciclones extratropicais não implica, necessariamente, na formação de tornados. “Não quer dizer que eles vão causar tornados”, explicou.
O alerta ocorre em um momento de atenção redobrada após o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na última semana. O fenômeno, classificado como F3 pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR), registrou ventos de até 250 km/h. Segundo o órgão, o tornado foi consequência de um ciclone formado entre o Paraguai, o norte da Argentina e o oeste da região Sul do Brasil.
O impacto foi severo: sete pessoas morreram — seis em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava — e outras 750 ficaram feridas, totalizando 784 atendimentos hospitalares. Estima-se que 90% dos edifícios do município paranaense tenham sido danificados. Cerca de 1.000 pessoas ficaram desalojadas e 28 estão desabrigadas.
Diante da tragédia, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, decretou estado de calamidade pública e luto oficial de três dias em todo o estado. Uma força-tarefa com mais de 50 profissionais, incluindo equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR), foi mobilizada para atuar na região. O governo federal também enviou ajuda humanitária, medicamentos e materiais de apoio.
Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), os prejuízos econômicos provocados pelo tornado somam R$ 114,5 milhões.