Um ano após a entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Santa Catarina aparece entre os estados mais afetados pelas mudanças no comércio exterior. Levantamento com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostra que o estado registrou o quarto maior saldo negativo nas exportações para o mercado norte-americano.
A comparação considera o desempenho do primeiro semestre de 2025, antes da adoção das tarifas, com o mesmo período de 2026, já sob os efeitos das medidas. O saldo negativo catarinense foi de US$ 1,36 bilhão, atrás apenas de Minas Gerais (US$ 3,11 bilhões), Rio de Janeiro (US$ 2,93 bilhões) e São Paulo (US$ 2,32 bilhões).
Impacto no setor madeireiro
Na Região Sul, o setor de madeira e derivados foi o principal responsável pela retração catarinense, acumulando saldo negativo de US$ 643,8 milhões. A forte dependência desse segmento para as exportações destinadas aos Estados Unidos explica boa parte da perda de espaço no mercado.
Apesar do cenário adverso, alguns produtos conseguiram ampliar vendas. O mel natural se destacou com crescimento de US$ 60 milhões, demonstrando capacidade de adaptação mesmo diante das novas tarifas.
Comparativo regional
No Paraná, o maior avanço ocorreu com carregadoras e transportadoras, que somaram saldo positivo de US$ 225,1 milhões. Já a maior queda também foi registrada em madeira e derivados, com retração de US$ 588,7 milhões.
No Rio Grande do Sul, o crescimento mais expressivo foi observado nas exportações de preparações e conservas bovinas, com saldo positivo de US$ 36,4 milhões. Por outro lado, o tabaco não manufaturado apresentou redução de US$ 171 milhões.
Mudança no perfil das exportações
Os dados indicam que, um ano após o início do tarifaço, o perfil das exportações brasileiras sofreu alterações significativas. Enquanto alguns estados conseguiram compensar as perdas com outros produtos ou mercados, outros sentiram de forma mais intensa os impactos das medidas comerciais.
Em Santa Catarina, além da retração no setor madeireiro, o efeito das tarifas resultou no fechamento de mais de 580 vagas nos segmentos de madeira e móveis. Ao mesmo tempo, nichos como o de mel natural mostram que há espaço para diversificação e crescimento mesmo em um cenário internacional mais restritivo.