Hilária Mireski, de 60 anos, aposentada de Itaiópolis, no Norte de Santa Catarina, convive há quase três décadas com uma rotina marcada por dor, cirurgias e preconceito. Portadora da síndrome de Gorlin-Goltz, doença genética rara que aumenta o risco de múltiplos tumores, ela já enfrentou 73 cânceres de pele, passou por 93 biópsias e perdeu um olho e parte do nariz em decorrência da enfermidade.
Sua história ganhou repercussão nacional após um desabafo diante das câmeras do influenciador Willian Braz, conhecido como “Willian da Bondade”. O vídeo, publicado nas redes sociais, ultrapassou 649 mil curtidas e recebeu quase 40 mil comentários até esta quarta-feira (29). Sensibilizado, o influenciador criou uma vaquinha online para ajudar no tratamento da aposentada. Em apenas 11 dias, a campanha arrecadou mais de R$ 570 mil, com o apoio de mais de 11,8 mil pessoas, superando em quase seis vezes a meta inicial de R$ 100 mil.
Assista ao vídeo Clicando aqui
Durante a entrevista, Hilária relatou não apenas os desafios médicos, mas também o preconceito enfrentado. “Me chamam de monstro, me chamam de ET, me chamam de caveira nas redes sociais. A gente sofre muito preconceito na rua”, afirmou. Ela também destacou as dificuldades financeiras para manter o tratamento, que pode ultrapassar R$ 3 mil mensais em medicações. “A gente fica com vergonha às vezes de pedir ajuda”, disse.
A luta contra a doença começou em 1998, quando trabalhava como gari em Itaiópolis, exposta diariamente ao sol sem proteção. Pequenas manchas no corpo levaram ao diagnóstico de carcinoma basocelular, um tipo de câncer de pele. Exames posteriores confirmaram a síndrome de Gorlin-Goltz, condição que afeta cerca de uma pessoa a cada 60 mil nascimentos.
Desde então, sua rotina passou a ser marcada por cirurgias e tratamentos contínuos. Em 2019, precisou retirar um dos olhos e parte do nariz. As mudanças físicas trouxeram impactos emocionais, incluindo crises de ansiedade e síndrome do pânico. Sem condições de arcar com os custos, Hilária depende de decisões judiciais para garantir acesso a medicamentos, alguns avaliados em mais de R$ 30 mil. Atualmente, gasta cerca de R$ 800 por mês com remédios, valor inferior ao necessário para o tratamento ideal.
Na tentativa de complementar a renda e dar visibilidade à doença, ela passou a produzir vídeos no TikTok e divulgar sua chave Pix para doações. Também realiza serviços na área da construção civil. Apesar das dificuldades, recebeu mensagens de apoio nas redes sociais. “Resiliência é o seu nome. Uma guerreira nos dando uma baita lição de vida”, escreveu uma seguidora. Outra destacou: “Mais compaixão com o próximo”.
Com a mobilização iniciada pelo vídeo de Willian Braz, milhares de pessoas decidiram contribuir. Em menos de duas semanas, a vaquinha transformou a realidade de uma mulher que, por muitos anos, enfrentou a doença e o preconceito praticamente sozinha.