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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Reprodução

Dívida pública federal cresce em junho e ultrapassa R$ 9,2 trilhões com impacto da Selic elevada

A Dívida Pública Federal (DPF) atingiu R$ 9,033 trilhões em junho, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). O valor representa alta de 2,66% em relação a maio, quando o estoque estava em R$ 8,798 trilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pela emissão de títulos vinculados à Taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

Apesar da elevação, o resultado permanece dentro das projeções oficiais. O Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro, prevê que a dívida encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Em maio, o indicador já havia ultrapassado a marca de R$ 9 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no mercado doméstico, avançou 2,72%, passando de R$ 8,692 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho. No período, o Tesouro emitiu R$ 143,35 bilhões em papéis a mais do que resgatou, com destaque para os vinculados à Selic. A apropriação de juros, que incorpora mensalmente os rendimentos ao estoque da dívida, somou R$ 85,16 bilhões.

As emissões da DPMFi totalizaram R$ 149,49 bilhões em junho, dos quais R$ 102,57 bilhões foram em títulos ligados à Selic. Os resgates ficaram em apenas R$ 6,14 bilhões, reflexo de um calendário com poucos vencimentos. Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 2,12%, passando de R$ 340,49 bilhões em maio para R$ 347,71 bilhões em junho, influenciada pela valorização de 2,37% do dólar no período.

O colchão da dívida pública, reserva financeira utilizada em momentos de instabilidade ou concentração de vencimentos, também cresceu. O montante passou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho, o maior nível desde o início da série histórica em 2015. Segundo o Tesouro, o aumento foi resultado das emissões superiores aos resgates. Atualmente, essa reserva cobre 8,33 meses de vencimentos, enquanto R$ 1,86 trilhão em títulos deve vencer nos próximos 12 meses.

A composição da DPF apresentou mudanças. Os títulos vinculados à Selic passaram de 48,99% para 49,32% do total. Os papéis corrigidos pela inflação recuaram de 26,26% para 25,9%, enquanto os prefixados subiram de 21% para 21,04%. Já os títulos atrelados ao câmbio caíram de 3,75% para 3,74%. As metas do PAF para o fim do ano indicam intervalos de 46% a 50% para Selic, 23% a 27% para inflação, 21% a 25% para prefixados e 3% a 7% para câmbio.

Os títulos prefixados, que oferecem previsibilidade ao governo por terem taxas definidas na emissão, costumam perder espaço em momentos de instabilidade, quando os investidores exigem juros mais elevados. Já os papéis vinculados à Selic têm atraído maior demanda devido ao patamar elevado da taxa básica. A dívida cambial, por sua vez, é formada por títulos antigos corrigidos em dólar e pela dívida externa.

Créditos: Agência Brasil/Maria Cláudia

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