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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Ronaldo Schemidt/AFP

Venezuela inicia libertação de presos políticos após captura de Nicolás Maduro

A Venezuela começou nesta quinta-feira (8/1) a liberar um número considerado “importante” de detidos por razões políticas, em um gesto que marca os primeiros movimentos da presidência interina de Delcy Rodríguez. A decisão foi anunciada dias após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Segundo a Casa Branca, a medida reflete a influência direta do presidente Donald Trump sobre o cenário político venezuelano.

O anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que destacou a intenção de promover “convivência pacífica” no país. Embora não tenha detalhado quantos presos serão libertados, o dirigente agradeceu o apoio diplomático de Espanha, Brasil e Catar. Entre os libertados estão cinco cidadãos espanhóis, incluindo a ativista Rocío San Miguel, que possui dupla nacionalidade. O governo da Espanha confirmou sua soltura e informou que ela se encontra em bom estado de saúde.

Repercussão internacional

A decisão repercutiu rapidamente entre líderes regionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o colombiano Gustavo Petro saudaram a medida em conversa telefônica, enquanto o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, também manifestou apoio. A ONG Foro Penal calcula que ainda existam 806 presos por razões políticas na Venezuela, dos quais 175 são militares. No centro de detenção El Helicoide, familiares aguardam ansiosos por informações, em meio a relatos de apreensão e esperança.

A captura de Maduro e de sua esposa levou ambos a Nova York, onde enfrentam acusações de narcotráfico e outros crimes. O episódio intensificou a pressão internacional e abriu espaço para negociações entre o governo interino e Washington.

Relações com os Estados Unidos

Donald Trump declarou que os Estados Unidos terão papel decisivo na condução das políticas venezuelanas, especialmente no setor petrolífero. O republicano afirmou que o país poderá manter por anos o controle sobre a produção e comercialização do petróleo venezuelano, atualmente administrado pela estatal PDVSA. A Chevron segue como a única multinacional autorizada a operar no país, em meio às sanções impostas desde 2019.

Delcy Rodríguez aceitou negociar diretamente com Washington, em um acordo que divide opiniões entre os cidadãos de Caracas. Parte da população vê na parceria uma oportunidade de recuperação econômica, enquanto outros demonstram desconfiança diante da perda de autonomia nacional.

Perspectivas regionais

A crise venezuelana também impacta a Colômbia. Após uma ligação entre Petro e Trump, os dois governos anunciaram ações conjuntas contra a guerrilha do ELN, que atua na fronteira. O clima político na região é descrito como de “alívio”, mas sem sinais de triunfalismo. Rodríguez deverá visitar Bogotá em breve para discutir alternativas de saída para a crise.

Enquanto isso, o Senado dos Estados Unidos avançou com uma resolução que busca limitar novas operações militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A proposta, no entanto, enfrenta resistência na Câmara dos Representantes e pode ser vetada pelo presidente.

Divisão interna

Nas ruas de Caracas, a população se mostra dividida. Jovens como José Antonio Blanco acreditam que a gestão americana sobre o petróleo pode trazer mais oportunidades. Já trabalhadores como Teresa González relatam confusão diante das informações contraditórias e ressaltam a dificuldade cotidiana de sobrevivência em meio à crise.

Com as maiores reservas de petróleo do mundo, mas uma indústria debilitada por sanções e má gestão, a Venezuela vive um momento decisivo. A libertação de presos políticos sinaliza uma tentativa de reorganização institucional, mas o futuro do país segue condicionado às negociações com Washington e ao impacto das mudanças na geopolítica regional.

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