O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido neste domingo (14) a um procedimento médico no Hospital DF Star, em Brasília, para retirada de oito lesões na pele. A intervenção foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da prisão domiciliar que Bolsonaro cumpre desde agosto. A solicitação foi feita pela defesa, com base em laudo médico que indicava a necessidade de exérese cirúrgica das lesões, classificadas como CID-10 D22.5 (nevo melanocítico do tronco) e CID-10 D48.5 (neoplasia de comportamento incerto da pele).
Lesões serão submetidas a análise laboratorial
Segundo boletim médico divulgado após o procedimento, as lesões foram removidas com anestesia local e sedação, sem intercorrências. O material foi encaminhado para exame anatomopatológico, que determinará se há presença de células malignas. O CID D48.5 indica comportamento incerto, ou seja, não é possível definir clinicamente se as lesões são benignas ou malignas sem análise laboratorial.
A suspeita principal é de câncer de pele, incluindo possibilidade de melanoma, o tipo mais agressivo da doença. Embora menos frequente, o melanoma é responsável pela maioria das mortes relacionadas ao câncer de pele. Os tipos mais comuns, como o carcinoma basocelular e o espinocelular, apresentam menor taxa de mortalidade e maior índice de cura.
Estado clínico inclui anemia e quadro pulmonar
Além da investigação dermatológica, Bolsonaro foi diagnosticado com anemia por deficiência de ferro e imagem residual de pneumonia por broncoaspiração. O tratamento incluiu reposição de ferro intravenosa e recomendações médicas para controle de hipertensão arterial e refluxo gastroesofágico.
Carlos Bolsonaro (PL-RJ), vereador e filho do ex-presidente, afirmou em vídeo que o pai realizou exames para verificar a possibilidade de câncer. “Retiraram sete pedaços profundos de pele dele para ver a possibilidade de averiguação de um câncer ali”, declarou, acrescentando que o estado de saúde de Bolsonaro é “delicado”.
Autorização judicial e acompanhamento médico
A autorização para o deslocamento ao hospital foi concedida exclusivamente para atendimento médico. A ida ao hospital contou com escolta policial e medidas de segurança reforçadas. O resultado dos exames laboratoriais deve ser divulgado nos próximos dias. A equipe médica avaliará a necessidade de tratamentos adicionais, caso seja confirmada a presença de células malignas.
A defesa do ex-presidente informou que ele permanecerá em Brasília, sob acompanhamento médico, até a conclusão dos exames e definição do tratamento. O STF ainda não se manifestou sobre eventuais novas autorizações médicas.