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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Santa Catarina enfrenta onda de feminicídios em pleno Agosto Lilás

Em apenas 15 dias de agosto de 2025, Santa Catarina registrou três feminicídios confirmados, igualando o total de assassinatos por motivação de gênero de todo o mês de agosto de 2024, segundo dados do Observatório da Violência contra a Mulher, compilados pela Assembleia Legislativa do estado. Os crimes, ocorridos em Florianópolis, Gaspar e Maravilha, expõem a gravidade da violência contra mulheres e coincidem com o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim desse tipo de violência. Até 11 de agosto, o estado já contabilizava 32 feminicídios em 2025, uma queda de 5,8% em relação aos 34 casos registrados no mesmo período de 2024, mas a recente escalada de casos reacende preocupações sobre a eficácia das medidas de prevenção.

O primeiro caso ocorreu em 2 de agosto, no bairro Carvoeira, em Florianópolis, onde uma mulher de 61 anos foi assassinada pelo filho de 24 anos enquanto dormia. O autor confessou o crime à Polícia Militar, alegando que a mãe o controlava e que premeditou o ato. Sua prisão preventiva foi decretada após audiência de custódia, e a Polícia Civil segue investigando. No dia 4, em Gaspar, no Vale do Itajaí, Dalva Paterno da Silva, de 56 anos, foi morta pelo ex-marido, com quem viveu por 38 anos. Apesar do divórcio e de uma medida protetiva, o suspeito permanecia na mesma residência. Ele tentou enganar os netos, dizendo que a vítima dormia, mas foi preso após os filhos alertarem a polícia. O terceiro caso, em 13 de agosto, vitimou Andréia Sotoriva, professora de 38 anos, em Maravilha, no Oeste. Ela foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro dentro de uma loja, motivado pelo fim do relacionamento. O autor, que a perseguia, atirou contra si mesmo e está internado em estado grave.

Os números alarmam, especialmente no contexto do Agosto Lilás. Dados do Observatório revelam que a maioria das vítimas tinha entre 40 e 49 anos, sendo companheiras ou esposas dos agressores, e que armas brancas foram os meios mais utilizados. Em muitos casos, não havia registros prévios de violência. Até o momento, 19 suspeitos foram presos, mas nove permanecem foragidos, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Além dos feminicídios consumados, o estado registrou 196 tentativas em 2024, conforme o Anuário de Segurança Pública. A advogada Tammy Fortunato, presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB, destaca a gravidade: “Os números, que eram para diminuir, não param de crescer. Os feminicídios tentados estão se tornando consumados.”

Um caso sob investigação é o desaparecimento de Lusiane Ribeiro Borges, de 27 anos, em Santa Cecília, há mais de duas semanas. O marido, principal suspeito, está preso preventivamente após contradições em seu depoimento e a descoberta de vestígios de sangue em sua casa, carro e roupas. As buscas, em uma área de mata densa, continuam, e o suspeito permanece em silêncio. Na mesma semana, em Barra Velha, no Litoral Norte, um homem foi preso após esfaquear a companheira, que sobreviveu e foi internada.

Diante do cenário, o governo estadual lançou, em 12 de agosto, o Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher (2025–2035), com ações em cinco eixos, incluindo ampliação de delegacias, atendimento em horário estendido e inclusão do tema nos currículos escolares. Tammy Fortunato reforça a necessidade de políticas eficazes: “Cabe ao Estado implementar medidas preventivas que realmente funcionem. Algo está falhando.” Apesar da pena para feminicídio, que varia de 20 a 40 anos, ser mais rigorosa que a do homicídio comum (12 a 30 anos), o efeito dissuasivo tem sido insuficiente, destacando a urgência de estratégias mais robustas para proteger as mulheres catarinenses.

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