O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou duas pessoas pela morte do dono de uma funerária em Videira, ocorrida em fevereiro deste ano. Entre os acusados está a companheira do empresário, apontada como responsável por colocar chumbinho — raticida clandestino — na comida do marido. O outro denunciado é o suposto amante dela, que teria ajudado a planejar o crime.
Segundo a denúncia, o casal teria agido para se apropriar do patrimônio da vítima e viver o relacionamento extraconjugal. O Poder Judiciário já recebeu a acusação, e ambos respondem por homicídio qualificado em cinco circunstâncias: envenenamento, motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa e dissimulação. O MPSC pretende levar o caso ao Tribunal do Júri, para que jurados da sociedade videirense julguem a conduta.
A promotora de Justiça Bruna Vieira Pratts destacou que o crime foi marcado pela frieza, pela premeditação e pela quebra de confiança no ambiente familiar. Os dois acusados estão presos preventivamente. De acordo com os autos, desde janeiro a mulher teria misturado substâncias tóxicas como soda cáustica e metanol em medicamentos e bebidas do marido. Após tentativas sem resultado, decidiram usar chumbinho, provocando intoxicação grave.
A vítima procurou atendimento médico em 4 de fevereiro e foi internada na UTI, vindo a óbito 11 dias depois em decorrência do agravamento do quadro clínico. As investigações da Polícia Civil apontaram que o crime foi planejado em comunhão de esforços entre os denunciados.
As qualificadoras reforçam a gravidade do caso. O uso de veneno caracteriza meio insidioso e proibido; a dissimulação decorre da relação de confiança entre vítima e acusada; o recurso que dificultou a defesa se relaciona ao desconhecimento da administração das substâncias; o motivo torpe está ligado ao interesse patrimonial e ao relacionamento extraconjugal; e o meio cruel refere-se ao sofrimento intenso imposto à vítima durante a internação. O processo segue em andamento, com expectativa de julgamento pelo Tribunal do Júri.