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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Ronco em crianças pode estar associado ao uso prolongado de chupeta, alertam especialistas

O ronco em crianças, muitas vezes subestimado, pode estar relacionado ao uso prolongado de chupeta, segundo especialistas em saúde infantil. O hábito, comum entre os pequenos, pode influenciar o desenvolvimento da cavidade oral e os padrões respiratórios, resultando em roncos durante o sono. Embora nem toda criança que usa chupeta apresente o problema, o risco aumenta quando o uso se estende além dos dois anos de idade, conforme apontam pediatras e otorrinolaringologistas.

Um dos principais impactos do uso contínuo da chupeta é a alteração na estrutura da boca e dos dentes. De acordo com o blog Roncolliv, mantido por especialistas em distúrbios do sono, a chupeta pode provocar o estreitamento do palato (céu da boca), desalinhamento dos dentes e posicionamento inadequado da língua. Essas mudanças dificultam a passagem do ar pelas vias respiratórias superiores durante o sono, favorecendo o ronco. “O palato estreito reduz o espaço para o fluxo de ar, o que gera vibrações nos tecidos da garganta, resultando no som característico do ronco”, explica a otorrinolaringologista Dra. Mariana Lopes, em artigo publicado no portal.

Outro fator é a tendência de crianças que usam chupeta por longos períodos desenvolverem o hábito de respirar pela boca, em vez de pelo nariz. A respiração bucal, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, é uma das principais causas de ronco infantil, pois altera a dinâmica do fluxo de ar e aumenta a probabilidade de obstruções parciais nas vias aéreas. Dados de um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicam que cerca de 10% das crianças entre 2 e 6 anos apresentam ronco frequente, sendo a respiração bucal um fator comum em grande parte dos casos.

Além disso, o uso prolongado da chupeta pode comprometer o fortalecimento dos músculos orais e da língua, essenciais para uma respiração adequada durante o sono. “A chupeta, quando usada excessivamente, reduz a atividade muscular natural da boca, o que pode levar a uma musculatura menos desenvolvida e a problemas respiratórios”, afirma o pediatra Dr. Carlos Almeida, em entrevista à imprensa. Essa fraqueza muscular contribui para o colapso parcial das vias aéreas, outro gatilho para o ronco.

Embora a chupeta seja um recurso comum para acalmar bebês, especialistas recomendam que seu uso seja suspenso gradualmente a partir dos 2 anos, ou no máximo até os 4 anos, para minimizar impactos no desenvolvimento orofacial. A Academia Americana de Pediatria reforça que o uso prolongado está associado não apenas ao ronco, mas também a problemas ortodônticos e até dificuldades de fala em alguns casos.

Os sinais de alerta para pais incluem ronco frequente, sono agitado, pausas respiratórias (apneia do sono) ou cansaço diurno mesmo após uma noite de sono. “Se a criança ronca mais de três noites por semana ou apresenta sintomas como sonolência excessiva, é essencial procurar um pediatra ou otorrinolaringologista”, orienta Dra. Mariana. Diagnósticos como hipertrofia de adenoides ou amígdalas, comuns em crianças, também podem estar associados ao ronco e requerem avaliação médica.

A Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia estima que cerca de 30% das crianças com ronco persistente podem apresentar apneia obstrutiva do sono, uma condição que, se não tratada, pode afetar o desenvolvimento cognitivo e comportamental. Em casos relacionados à chupeta, intervenções como a retirada gradual do objeto, terapia fonoaudiológica e, em situações específicas, procedimentos cirúrgicos podem ser recomendados. A conscientização sobre os riscos do uso prolongado da chupeta é, portanto, essencial para a saúde respiratória e o bem-estar das crianças.

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