A pesquisa Brasil Coração Saudável, realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), identificou índices preocupantes de hipertensão e excesso de peso entre crianças e adolescentes brasileiros. O levantamento analisou mais de seis mil estudantes de escolas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Segundo os dados, a pré-hipertensão atinge 11,6% dos indivíduos avaliados. A hipertensão é mais frequente entre meninos de 15 a 18 anos (40,7%) e também entre os menores de 7 anos (39,1%). O estudo mostra ainda que uma em cada três crianças e adolescentes apresenta excesso de peso: 19,5% têm sobrepeso e 13,6% obesidade. O sobrepeso é mais comum em meninas de 11 a 14 anos (24,0%), enquanto a obesidade predomina nos meninos de 7 a 10 anos (17,1%).
Entre os jovens com obesidade, quase metade apresenta hipertensão (48,4%). Nos adolescentes obesos de 15 a 18 anos, o índice chega a 60,5%, evidenciando a relação direta entre aumento de peso e risco cardiovascular.
Sedentarismo e uso de telas
O estudo também aponta que 59% dos participantes passam mais de três horas por dia em frente a telas, principalmente celular (86%) e televisão (80%). Além disso, 66% praticam apenas de uma a duas horas de atividade física por semana, sendo que a maioria (93%) realiza exercícios apenas no ambiente escolar.
Especialistas alertam
Para o cardiologista Álvaro Avezum, coordenador do projeto, a redução da prática de atividade física, associada a alimentação inadequada e ao aumento do estresse, contribui diretamente para o desenvolvimento de obesidade e hipertensão arterial sistêmica. “Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares”, afirmou.
Relevância dos resultados
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção de hábitos saudáveis desde a infância, com incentivo à prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e redução do tempo de exposição às telas. A SBC destaca que a prevenção precoce é fundamental para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares na vida adulta.