A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil iniciaram nesta quarta-feira (22) a aplicação das novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliam o alcance da política habitacional, permitindo o financiamento de imóveis de até R$ 600 mil e incluindo famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.
Na prática, a atualização eleva tanto os limites de renda quanto os valores máximos dos imóveis em todas as faixas do programa. Com isso, mais famílias passam a ter acesso ao crédito imobiliário com juros reduzidos em comparação ao mercado tradicional, o que deve facilitar a compra da casa própria, inclusive em regiões mais valorizadas.
Reajuste das faixas de renda
Com a reestruturação, todas as faixas de renda foram ampliadas.
- Faixa 1: até R$ 3.200
- Faixa 2: até R$ 5.000
- Faixa 3: até R$ 9.600
- Faixa 4: até R$ 13 mil
Os valores máximos dos imóveis também foram atualizados. Nas faixas 1 e 2, os limites variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo da região. A faixa 3 passa de R$ 350 mil para até R$ 400 mil, enquanto a faixa 4 sobe de R$ 500 mil para até R$ 600 mil.
Impacto no mercado imobiliário
Segundo o governo federal, cerca de 87,5 mil famílias devem ser beneficiadas com as novas condições. A medida inclui aproximadamente 31,3 mil famílias na faixa 3 e outras 8,2 mil na faixa 4.
Especialistas avaliam que a principal consequência será a reaproximação da classe média do financiamento habitacional. Para a advogada Daniele Akamine, a mudança amplia o poder de compra: “Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas”, afirmou.
Perspectivas para o setor
De acordo com a coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, o reajuste corrige uma defasagem em relação ao mercado e amplia o alcance do programa. Ela destacou que o MCMV se consolidou como um dos principais motores da construção civil no país, especialmente em 2025, quando atingiu recordes de contratações.
Com a ampliação do teto de renda de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano, o Minha Casa, Minha Vida reforça sua posição como a principal política de acesso à moradia no Brasil, ao mesmo tempo em que impulsiona o setor imobiliário e da construção civil.