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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Reprodução

Justiça determina interdição total do Presídio Regional de Videira por superlotação e violações de direitos humanos

A Justiça de Santa Catarina determinou a interdição total do Presídio Regional de Videira após constatar um cenário crítico de superlotação e violações graves de direitos humanos. A decisão atende a um pedido coletivo apresentado pela Defensoria Pública do Estado, que apontou falhas estruturais, sanitárias e administrativas na unidade.

Atualmente, o presídio abriga 271 pessoas, embora tenha capacidade oficial para 129 vagas. A taxa de ocupação ultrapassa 200%, muito acima do limite máximo de 137,5% estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Diante desse quadro, o juiz responsável proibiu a entrada de novos detentos até que a lotação seja reduzida ao patamar legal.

Condições consideradas desumanas

Durante inspeções recentes, foram identificadas situações classificadas como incompatíveis com a dignidade humana. Entre os problemas relatados estão:

  • presos dormindo no chão;
  • colchões divididos entre vários detentos;
  • celas superlotadas e sem ventilação adequada;
  • higiene precária;
  • acesso limitado à água para banho.

Segundo o processo, há ainda esgoto a céu aberto próximo às janelas das celas, com detritos expostos ao sol. O Estado terá 30 dias para corrigir o problema, sob pena de multa diária.

Falta de atendimento básico

A decisão também destaca a ausência de atendimento médico, psicológico e social. Conforme relatado, há cerca de oito meses não há serviços regulares nessas áreas, o que contribuiu para o surgimento de doenças de pele e o agravamento de problemas respiratórios entre os detentos.

Irregularidades na separação de presos

Outro ponto considerado grave é a mistura de presos provisórios com condenados definitivos, prática proibida pela Lei de Execução Penal. Para o magistrado, essa irregularidade agrava a violação de direitos fundamentais e compromete a segurança interna da unidade.

Medidas determinadas pela Justiça

Além da interdição, o juiz determinou:

  • vistorias da Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil;
  • apuração de denúncias de maus-tratos pela Polícia Penal;
  • correções estruturais imediatas no sistema sanitário;
  • suspensão de novas entradas até regularização da lotação.

Para o Judiciário, a medida busca interromper um quadro prolongado de omissão estatal e garantir o respeito à dignidade humana dentro do sistema prisional.

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