O mercado de apostas esportivas e jogos online, as chamadas “bets”, está em franca expansão no Brasil, movimentando cerca de R$ 30 bilhões por mês, segundo estimativas do Banco Central (BC) apresentadas nesta terça-feira, 08 de abril de 2025, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal. A cifra, que supera as projeções iniciais de R$ 20 bilhões mensais feitas antes da regulamentação do setor em janeiro deste ano, reflete um monitoramento mais rigoroso possibilitado pela nova legislação. Rogério Lucca, secretário-executivo do BC, explicou que as empresas do setor agora operam com contas específicas, permitindo um rastreamento mais preciso das transações. Ele revelou que, entre janeiro e março, os gastos flutuaram entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês, consolidando a estimativa mais alta. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também destacou na CPI que os bancos passaram a tratar apostadores como clientes de alto risco, já que a prática eleva as chances de inadimplência, encarecendo empréstimos e dificultando o acesso ao crédito para quem se aventura nesse universo.
Embora o crescimento das apostas injete bilhões na economia, os prejuízos associados a essa febre vão muito além do financeiro. A facilidade de acesso a plataformas digitais, aliada à promessa de ganhos rápidos, tem levado muitos brasileiros a desenvolver comportamentos compulsivos, com consequências devastadoras para a saúde mental e a estabilidade familiar. Estudos recentes apontam que o vício em jogos de azar pode desencadear ansiedade, depressão e até crises familiares, especialmente quando perdas acumuladas resultam em dívidas impagáveis. A classificação de apostadores como clientes de alto risco pelos bancos, como mencionou Galípolo, é um reflexo direto desse problema: quem aposta frequentemente tende a comprometer sua renda, recorrendo a empréstimos com juros elevados, o que pode iniciar um ciclo vicioso de endividamento. Além disso, a falta de educação financeira e a glamourização das apostas em propagandas agressivas amplificam o risco, atraindo jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade para um jogo onde a casa quase sempre vence. A regulamentação trouxe maior controle, mas também expôs a necessidade urgente de políticas públicas que promovam conscientização e proteção contra os danos sociais e econômicos que as bets podem causar.