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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Contas de luz ficam mais caras com bandeira amarela em maio

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, em 24 de abril de 2025, que as contas de energia elétrica no Brasil passarão a operar sob a bandeira tarifária amarela a partir de maio, com um custo adicional de R$ 1,88 para cada 100 kWh consumidos. A decisão reflete o início do período seco, caracterizado pela redução das chuvas e, consequentemente, pela queda na capacidade dos reservatórios hidrelétricos, que respondem por cerca de 65% da geração de energia do país. Com isso, o sistema elétrico dependerá mais de usinas termelétricas, cuja operação é significativamente mais cara, impactando diretamente os consumidores. A mudança põe fim a cinco meses consecutivos de bandeira verde, entre dezembro de 2024 e abril de 2025, quando chuvas abundantes garantiram custos mais baixos.

Sistema de bandeiras tarifárias

O sistema de bandeiras tarifárias, implementado pela Aneel em 2015, funciona como um mecanismo para sinalizar aos consumidores os custos reais da geração de energia, incentivando o uso consciente em períodos de maior custo. As bandeiras variam conforme as condições de geração, conforme detalhado na tabela abaixo:

Bandeira Condição Custo Adicional (R$/100 kWh)
Verde Favorável Sem custo
Amarela Menos favorável R$ 1,88
Vermelha Patamar 1 Desfavorável R$ 4,46
Vermelha Patamar 2 Muito desfavorável R$ 7,87

A bandeira amarela indica uma situação intermediária, em que a geração hidrelétrica começa a ser complementada por termelétricas, elevando os custos, mas sem atingir os patamares críticos das bandeiras vermelhas.

Impacto da estiagem

A transição para o período seco, que ocorre tradicionalmente entre maio e novembro, reduz o volume de chuvas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde estão os principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN). Dados da Aneel indicam que, em abril de 2025, os reservatórios dessas regiões estão 15% abaixo da média histórica, comprometendo a geração hidrelétrica. Para compensar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aumenta o acionamento de usinas termelétricas, que utilizam combustíveis como gás natural e carvão, encarecendo a produção de energia.

Fim da bandeira verde

Entre dezembro de 2024 e abril de 2025, o Brasil manteve a bandeira verde, beneficiado por um período chuvoso robusto que elevou os níveis dos reservatórios. Durante esses cinco meses, os consumidores não enfrentaram custos adicionais, e a geração hidrelétrica operou em sua capacidade máxima. Contudo, com a previsão de chuvas abaixo da média para os próximos meses, a Aneel optou pela bandeira amarela, sinalizando a necessidade de maior cautela no consumo de energia.

Recomendações para consumidores

Diante do aumento nas tarifas, a Aneel reforça a importância de práticas de consumo consciente para minimizar o impacto financeiro. Algumas medidas recomendadas incluem:

  • Desligar aparelhos em stand-by, como TVs e micro-ondas, que consomem energia mesmo quando não utilizados.
  • Substituir lâmpadas incandescentes por modelos LED, que são até 80% mais econômicos.
  • Reduzir o tempo de uso de eletrodomésticos de alto consumo, como chuveiros elétricos e ar-condicionado.
  • Aproveitar a luz natural sempre que possível, diminuindo a necessidade de iluminação artificial.

Essas ações, segundo a agência, podem reduzir significativamente o consumo mensal, ajudando a mitigar o custo extra da bandeira amarela.

Contexto e desafios futuros

O anúncio da bandeira amarela ocorre em um momento de debates sobre a matriz energética brasileira, altamente dependente de hidrelétricas. Especialistas apontam que a vulnerabilidade do sistema a períodos de estiagem, agravada por mudanças climáticas, exige investimentos urgentes em fontes renováveis, como solar e eólica, que já representam cerca de 20% da matriz elétrica, segundo o ONS. A proximidade da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém, intensifica a pressão por políticas energéticas sustentáveis, especialmente após o aumento de 18% no desmatamento da Amazônia entre 2024 e 2025, que compromete a regulação climática regional.

Perspectivas para os próximos meses

A Aneel monitorará mensalmente as condições hidrológicas e de geração para definir as bandeiras tarifárias futuras. Caso as chuvas permaneçam abaixo da média, há risco de escalada para a bandeira vermelha, com custos ainda mais altos. Por outro lado, chuvas inesperadas ou melhorias na gestão dos reservatórios podem estabilizar ou até reverter a situação. Enquanto isso, consumidores em todo o país, de residências a indústrias, preparam-se para ajustar orçamentos, e a agência mantém o apelo por eficiência energética como estratégia para enfrentar o período seco.

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