A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou, nesta segunda-feira (10), um pacote de novas regras de arbitragem para as competições nacionais. As alterações, inspiradas nas normas aplicadas na Copa do Mundo de 2026, foram deliberadas durante reunião com clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, realizada em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
As medidas passam a vigorar ainda na temporada atual e abrangem o Brasileirão das Séries A e B, a Copa do Brasil masculina e feminina e o Campeonato Brasileiro Feminino A1. A decisão representa uma antecipação das mudanças previstas pela International Football Association Board (IFAB), que originalmente só poderiam ser adotadas a partir de 2028.
Objetivo é aumentar o tempo de bola rolando
O principal foco das alterações é elevar o tempo efetivo de jogo. Estudo elaborado pela CBF Academy, com base em dados da OPTA Stats Perform, identificou que a Série A do Brasileirão registrava média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo em 2026, antes da paralisação para a Copa do Mundo. O índice está abaixo da referência de 60 minutos estabelecida pela FIFA.
A análise aponta que o futebol brasileiro pode recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por partida. Para comparação, a Premier League, na Inglaterra, apresenta média de 55 minutos e 23 segundos; a Ligue 1 e a Bundesliga, de 56 minutos e 17 segundos; La Liga, na Espanha, de 55 minutos e 9 segundos; e a Serie A italiana, de 54 minutos e 28 segundos.
Investimento e reestruturação
A CBF informou que destinará R$ 200 milhões à arbitragem entre 2026 e 2027. Os recursos serão aplicados em equipamentos, treinamentos e processos utilizados durante as partidas. A entidade também trabalha na elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, que será construído ao longo de cinco reuniões com clubes e federações.
O presidente da CBF, Samir Xaud, classificou o encontro como parte de um processo de reestruturação do futebol brasileiro. “Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, afirmou.
O vice-presidente da entidade, Gustavo Dias Henrique, ressaltou que o processo exigirá adaptação. “As mudanças na arbitragem são difíceis, requerem tempo e precisam de mecanismos para se chegar onde queremos. Estamos investindo valores milionários em equipamentos e treinamentos e não é de uma hora para outra que tudo vai mudar. Precisamos dos clubes e dos dirigentes neste processo”, disse.
As nove principais mudanças aprovadas
1. Cinco segundos para arremesso lateral: a contagem começa assim que o jogador estiver com a bola nas mãos.
2. Cinco segundos para tiro de meta: após o apito do árbitro, o goleiro terá cinco segundos para realizar a cobrança. O descumprimento resultará em escanteio para o adversário.
3. Dez segundos para sair em substituições: o jogador substituído deverá deixar o campo pelo ponto mais próximo, sem demora.
4. Um minuto fora após atendimento médico: jogadores atendidos dentro de campo deverão permanecer fora durante um minuto antes de retornar.
5. Atendimento ao goleiro: após atendimento médico ao goleiro, um jogador de linha indicado pelo treinador deverá permanecer fora por um minuto.
6. Apenas o capitão poderá falar com o árbitro: a regra estabelece um único interlocutor por equipe em determinadas situações durante a partida.
7. Cobrir a boca em discussões poderá gerar expulsão: o gesto intencional de cobrir a boca durante uma discussão com adversário passa a ser considerado conduta passível de cartão vermelho.
8. VAR poderá revisar segundo cartão amarelo: lances que resultem em um segundo cartão amarelo e consequente expulsão passam a ter possibilidade de revisão pelo VAR.
9. VAR poderá revisar escanteio concedido por engano: a medida foi aprovada para aplicação em 2027 e permitirá a correção da decisão quando houver possibilidade de alteração imediata, sem atraso no reinício da partida.
Próximos passos
O diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, destacou que as medidas foram fundamentadas em dados. “A gente partiu de dados para entender onde estão as principais interrupções e o que podemos fazer para melhorar o jogo. O estudo mostra que existe espaço para recuperar mais de seis minutos de bola rolando por partida, e nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas”, afirmou.
A próxima reunião do conselho técnico está prevista para 14 de setembro, com foco na organização das competições. O encontro dará continuidade às discussões para a construção do novo regulamento da temporada de 2027.