A morte de Vitória Regina de Souza, adolescente de 17 anos encontrada no início de março em uma área de mata em Cajamar, Grande São Paulo, revelou um crime brutal que chocou a região. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML), obtido pela TV Globo, confirmou que ela foi assassinada com três facadas no tórax, pescoço e rosto, mas descartou violência sexual. Apesar dos avanços na investigação, que apontam Maicol Sales dos Santos como principal suspeito, questões cruciais ainda aguardam respostas definitivas. Confira abaixo o que já foi esclarecido e o que permanece em aberto.
O principal suspeito confessou o crime?
Sim, segundo a Polícia Civil. Na noite de segunda-feira, 17 de março, Maicol teria confessado o assassinato, afirmando ter agido sozinho por vingança, motivado por um amor não correspondido. Os delegados Luiz Carlos do Carmo e Fábio Lopes, responsáveis pelo caso, consideram a autoria e o motivo esclarecidos. A confissão ocorreu após Maicol solicitar um interrogatório, acompanhado por um advogado designado, já que seus defensores originais haviam se retirado. Contudo, a TV Globo apurou que, em um depoimento posterior com seu advogado presente, ele não reiterou a confissão, gerando incerteza sobre sua posição final.
O que ele disse no depoimento?
No depoimento de segunda-feira, ao qual a TV Globo teve acesso, Maicol relatou que abordou Vitória ao vê-la descer do ônibus e a convidou para entrar em seu carro. Uma discussão teria levado ao ataque: ele pegou uma faca ao lado do banco do passageiro e desferiu dois golpes ainda dentro do veículo. Em seguida, em pânico, foi buscar uma enxada em casa, colocou o corpo no porta-malas e o levou a uma área de mata, onde cavou uma cova rasa, despiu a vítima e a abandonou. No dia seguinte, disse ter queimado as roupas dela e jogado a faca em um rio, mantendo sua rotina normal.
Cabelo e mancha em carro de suspeito são de Vitória?
A polícia ainda não tem certeza. Uma testemunha viu o carro de Maicol, um Toyota Corolla, perto do ponto de ônibus onde Vitória desapareceu, e o veículo foi apreendido. Um fio de cabelo e uma mancha suspeita de sangue foram encontrados no interior, mas os exames de DNA estão pendentes. Outra mancha, possivelmente sangue, foi localizada em uma casa ligada a Maicol, que pode ter sido usada como cativeiro. Os resultados dessas perícias, fundamentais para conectar fisicamente o suspeito ao crime, ainda não foram divulgados.
Ex-namorados têm participação no assassinato?
Por enquanto, a participação de outros suspeitos foi descartada. Inicialmente, Gustavo Vinícius, ex-namorado de Vitória, e Daniel Lucas Pereira, morador local, foram investigados, mas sempre negaram envolvimento. Com a confissão de Maicol e novas evidências, a Polícia Civil acredita que ele agiu sozinho, afastando a suspeita sobre os dois. Um “ficante” da vítima também foi ouvido, mas nunca tratado como suspeito formal. A investigação, porém, pode reavaliar essa linha se surgirem contradições.
Há envolvimento do crime organizado?
Não há evidências concretas disso no momento. No início, o delegado Aldo Galiano sugeriu a possibilidade de crime organizado, apontando o cabelo raspado de Vitória como um sinal típico de vingança por traição, associado a facções como o PCC. Contudo, com o avanço das apurações e a confissão de Maicol, essa hipótese foi deixada de lado, e o caso é tratado como um crime passional isolado.
O que diz o laudo do IML?
O laudo do IML confirma que Vitória morreu por três facadas no tórax, pescoço e rosto, sem sinais de violência sexual — uma dúvida inicial da investigação. O documento também detectou álcool no sangue, mas os peritos sugerem que isso pode ser resultado da decomposição do corpo, e não necessariamente de consumo ou dopagem. A polícia segue apurando se ela foi forçada a ingerir algo antes do crime.
Jovem foi vítima de stalker?
Sim, há fortes indícios disso. A perícia no celular de Maicol revelou que ele monitorava Vitória desde 2024, com uma coleção de fotos dela e de outras mulheres de aparência semelhante, além de imagens de facas e um revólver. Morador do mesmo bairro, Ponunduva, ele conhecia a rotina da adolescente e pode ter planejado o sequestro, aproveitando-se do fato de o carro do pai dela estar quebrado. A polícia acredita que Maicol agiu como stalker, usando uma arma para forçá-la a entrar em seu veículo.
Quando Vitória foi vista pela última vez?
Vitória foi vista pela última vez na noite de 26 de fevereiro, após sair do shopping onde trabalhava em Cajamar. Câmeras de segurança a gravaram indo a um ponto de ônibus. Ela pegou dois coletivos, enviando mensagens a uma amiga sobre seu medo de dois homens no ônibus e de um carro com outros dois indivíduos que a assediaram. Testemunhas confirmam que ela desembarcou sozinha no ponto final em Ponunduva, zona rural de Cajamar, antes de desaparecer.
Como o corpo foi identificado?
O corpo foi encontrado em 5 de março, a cerca de 5 km da casa de Vitória, em estado avançado de decomposição. Familiares o identificaram por meio de tatuagens características, como uma borboleta na perna, e um piercing no nariz, reconhecidos apesar das condições do cadáver.
Por que o suspeito foi preso?
Maicol foi detido em 8 de março após a Justiça decretar sua prisão temporária, válida por 30 dias. A decisão se baseou em “fortes indícios” de seu envolvimento, como contradições em seus depoimentos, o avistamento de seu Corolla na cena do crime e relatos de movimentações suspeitas em sua casa na noite do desaparecimento. A Justiça também autorizou buscas em sua residência e a quebra de sigilo de dados telemáticos, reforçando as evidências contra ele.
Embora a confissão de Maicol e o laudo do IML tenham trazido clareza sobre a autoria e a causa da morte, a investigação depende dos resultados periciais para confirmar detalhes materiais e encerrar especulações. Por ora, o caso aponta para um crime passional cometido por um perseguidor, mas a palavra final da ciência forense ainda é aguardada.