O Brasil recuperou oficialmente o certificado de país livre do sarampo, rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita (SRC), perdido em 2019. O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, fizeram o anúncio em evento na sede da OPAS, em Brasília, nesta terça-feira, destacando o avanço nas ações de imunização e controle da doença no país.
Segundo Renato Kfouri, presidente da Câmara Técnica de Verificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e SRC, a recertificação representa um esforço coordenado para ampliar a cobertura vacinal e a vigilância dos casos suspeitos. “Conseguimos cumprir todos os fatores exigidos para impedir a transmissão local do sarampo, o que foi um desafio grande em um país com tantas desigualdades”, afirmou Kfouri.
O Brasil havia recebido a certificação inicial em 2016 e manteve-se sem novos casos de sarampo até 2018, quando o vírus voltou a circular e causar surtos, resultando na perda do status de país livre da doença em 2019. Desde 2022, porém, o país não registra casos locais; os diagnósticos recentes foram importados, detectados entre viajantes.
Avanços e desafios na cobertura vacinal
De acordo com o Ministério da Saúde, desde 2022, o Brasil conseguiu estancar a queda na cobertura vacinal, e, em 2023, registrou uma taxa de 91,2% para a primeira dose da tríplice viral e 81,3% para a segunda. A meta continua sendo alcançar 95% de cobertura completa para garantir uma proteção robusta.
Kfouri enfatiza que a vacinação é o “pilar fundamental” para manter o certificado, mas alerta que a cobertura vacinal precisa seguir aumentando, especialmente na segunda dose. Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece a vacina de forma gratuita para crianças e adultos que não foram vacinados anteriormente.
Cenário global e riscos de novos surtos
O Brasil é agora o único país da América do Sul a ter recuperado a certificação, mas a situação global ainda é de preocupação. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, em 2023, cerca de 300 mil casos de sarampo foram registrados mundialmente, quase o triplo do ano anterior. A cobertura vacinal inadequada afeta 103 países, dificultando o controle global da doença.
Especialistas destacam que a vacinação tem sido uma das maiores conquistas da saúde pública, salvando mais de 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos, e ressaltam que manter altos índices de vacinação é essencial para erradicar o sarampo e evitar novas epidemias no futuro.