O Banco Central do Brasil anunciou a implementação de uma nova funcionalidade no PIX que promete reforçar a segurança contra fraudes. Trata-se do Mecanismo Especial de Devolução (MED), já em vigor, que possibilita o rastreamento de valores transferidos indevidamente mesmo quando os recursos são repassados para diferentes contas. A medida dificulta a ação de golpistas e amplia as chances de recuperação do dinheiro das vítimas.
Até então, a devolução só podia ser realizada a partir da conta inicialmente utilizada na fraude. Como os criminosos costumavam transferir rapidamente os valores para outras contas, a recuperação era rara: estima-se que apenas 10% das vítimas conseguiam reaver o dinheiro. Com o MED, as instituições financeiras passam a ter a capacidade de bloquear recursos em toda a cadeia de transferências, aumentando a eficiência do processo.
O serviço é opcional para os bancos neste momento, mas se tornará obrigatório em 2 de fevereiro de 2026. O cliente terá até 80 dias para contestar uma operação suspeita, e a devolução deverá ocorrer em até 11 dias. O mecanismo, no entanto, só se aplica a casos de fraude comprovada ou erros operacionais da instituição financeira. Situações como desacordos comerciais, arrependimentos ou envios incorretos por erro do próprio usuário não estão contempladas.
Segundo Renato Dias, diretor do Banco Central, o avanço é significativo: “O que acontece é que a gente vai poder rastrear os recursos para além da primeira conta recebedora, de tal maneira que a gente vai conseguir bloquear recursos em uma cadeia mais longa e, verificando a fraude, retornar, estornar esses recursos para a conta pagadora”. A Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) manifestou apoio à medida, destacando que ela fortalece a segurança do sistema financeiro e combate não apenas fraudes diretas, mas também o uso de contas para ocultar dinheiro ligado ao crime organizado.
Com a novidade, o PIX, que já se consolidou como o meio de pagamento mais utilizado no país, ganha mais uma camada de proteção, reforçando a confiança dos usuários e das instituições financeiras.