O vício em apostas online, conhecidas como bets, consolida-se atualmente como a segunda maior causa de endividamento em Santa Catarina, movimentando cifras expressivas em renegociações. Desde outubro de 2025, o Núcleo de Apoio ao Superendividado, vinculado ao Procon de Santa Catarina, intermediou a renegociação de mais de R$ 25 milhões em débitos associados diretamente às plataformas digitais de apostas.
Esse montante representa cerca de 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, embora especialistas avaliem que o prejuízo real seja consideravelmente maior. A contabilização oficial abrange apenas os casos que passaram formalmente pelo programa de atendimento, deixando de fora cidadãos que comprometem a renda familiar e deixam de consumir no comércio tradicional para financiar os jogos virtuais.
A facilidade de acesso aos sites de apostas por meio de smartphones contribui para a disseminação do problema em diversos ambientes. Dispositivos móveis permitem que usuários façam apostas durante o expediente de trabalho, em reuniões ou em momentos de pausa, ampliando o risco de perda financeira rápida e o desenvolvimento de comportamentos compulsivos.
Consequências no comércio e superendividamento
Entidades representativas do setor produtivo demonstram preocupação com o reflexo dessa situação na economia regional e na força de trabalho. O presidente da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio-SC), Hélio Dagnoni, relatou que diversas empresas registram pedidos de demissão motivados pela necessidade de quitar débitos acumulados com o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Segundo o dirigente empresarial, a situação tem provocado queda nas vendas do comércio local e gerado transtornos para famílias catarinenses. O cenário evidencia a capilaridade da ludopatia, termo técnico que define o transtorno relacionado ao hábito incontrolável de apostar dinheiro em jogos.
Apostas movimentam bilhões no país
Em âmbito nacional, levantamentos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que os brasileiros gastaram cerca de R$ 68,2 bilhões em apostas entre 2023 e 2024.
Dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) detalham que o futebol lidera as preferências nas modalidades esportivas, com forte adesão masculina, enquanto os cassinos online atraem majoritariamente o público feminino.
O avanço das apostas virtuais e os impactos associados ao endividamento continuam a motivar debates públicos em esferas governamentais e legislativas no país. Discussões sobre regulamentação, medidas de prevenção e ampliação do suporte aos cidadãos afetados seguem em andamento nos órgãos competentes.