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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Divulgação

Laudo da exumação do cão Orelha não identifica fraturas, mas não descarta trauma

O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do cão comunitário Orelha, morto na Praia Brava, em Florianópolis, não identificou fraturas ou lesões ósseas que indiquem ação humana direta. O documento, no entanto, ressalta que a ausência desses sinais não elimina a possibilidade de trauma cranioencefálico ou agressão que tenha levado à morte do animal.

A exumação ocorreu em 11 de fevereiro de 2026, cerca de um mês após a morte do cão, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Devido ao avançado estado de decomposição — com o corpo já em fase de esqueletização e sem tecidos moles —, os peritos enfrentaram limitações técnicas que impediram a determinação conclusiva da causa da morte.

Os especialistas examinaram minuciosamente todos os ossos do animal e não constataram fraturas ou lesões compatíveis com agressão. O laudo descartou explicitamente a hipótese, circulante nas redes sociais, de que um prego teria sido cravado na cabeça do cão.

O relatório destaca: “A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo. A literatura especializada afirma que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais à morte”.

Um laudo anterior, baseado no atendimento veterinário inicial, apontava possível trauma por objeto contundente — como pedaço de madeira ou pedra — no lado esquerdo da cabeça. A análise da ossada, porém, não confirmou essa lesão. Os peritos identificaram apenas uma área de porosidade no maxilar esquerdo, compatível com osteomielite, uma infecção óssea antiga sem relação com agressão recente. Além disso, foram constatadas alterações degenerativas típicas de idade avançada, como espondilose deformante, e possíveis problemas dentários.

Orelha, também conhecido como Preto, vivia há quase dez anos na Praia Brava e era cuidado por moradores, pescadores e comerciantes locais. O animal foi encontrado com ferimentos graves em 5 de janeiro de 2026, após suposta agressão no dia anterior, e precisou ser eutanasiado devido ao estado clínico grave.

A Polícia Civil de Santa Catarina identificou indícios de envolvimento de adolescentes no caso. Em janeiro, o delegado-geral Ulisses Gabriel afirmou que o governador Jorginho Mello cobrou rigor na apuração. A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi confirmou indícios de autoria por parte de quatro adolescentes. O inquérito foi concluído e enviado ao MPSC, que solicitou novas diligências, incluindo a exumação.

O caso gerou forte mobilização popular, com mais de 100 moradores participando de manifestações em 17 de janeiro pedindo justiça. A ossada do animal permanece armazenada na Polícia Científica para eventuais exames complementares.

A investigação segue em andamento, com o MPSC analisando os elementos colhidos, incluindo vídeos e outras provas solicitadas.

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