Um balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) mostrou que, ao longo de 2025, 2.772 trabalhadores foram resgatados em 1.594 ações fiscais de combate ao trabalho análogo à escravidão em todo o país. As operações resultaram na garantia de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas. Além dos resgates, mais de 48 mil trabalhadores tiveram direitos trabalhistas assegurados por meio das fiscalizações, mesmo nos casos em que não foi caracterizada a condição de escravidão contemporânea.
De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), os setores com maior número de trabalhadores resgatados foram obras de alvenaria (601), administração pública em geral (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração e britamento de pedras e outros materiais para construção (126). Os dados também indicam uma mudança no perfil das ocorrências: 68% dos trabalhadores resgatados estavam em áreas urbanas, superando pela primeira vez os registros em zonas rurais.
As fiscalizações revelaram que o trabalho escravo contemporâneo não se restringe a atividades específicas, sendo identificado em diferentes áreas, como colheita de café, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Nesse último caso, foram realizadas 122 ações fiscais em todo o país, resultando no resgate de 34 trabalhadores.
Os estados com maior número de ações fiscais foram São Paulo (215), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já os estados com mais trabalhadores resgatados foram Mato Grosso (607), Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253).
Todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas no valor de um salário mínimo. O benefício é considerado essencial para a reconstrução da vida das vítimas, que também são encaminhadas à Assistência Social e a políticas públicas específicas, de acordo com seus perfis.
As denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.