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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Vacina contra bronquiolite chega ao SUS com 1,8 milhão de doses a partir de novembro

O Ministério da Saúde anunciou que a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês, começará a ser distribuída na rede pública a partir da segunda quinzena de novembro. O imunizante, chamado Abrysvo, será aplicado em gestantes com o objetivo de proteger os recém-nascidos nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade a complicações respiratórias graves.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer, que prevê a entrega de 1,8 milhão de doses ao Sistema Único de Saúde (SUS) até o fim de 2025. A primeira remessa, com 832,5 mil doses, será enviada em novembro, e mais 1 milhão serão distribuídas até dezembro.

Impacto do VSR na saúde infantil

O VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 20 mil bebês com menos de um ano sejam hospitalizados anualmente por complicações relacionadas ao vírus.

Segundo o pediatra Renato Kfouri, do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), “virtualmente, 100% das crianças serão expostas ao VSR nos dois primeiros anos de vida. Cerca de 60 a 65% se infectam no primeiro ano. Nem todas terão bronquiolite, mas muitas apresentarão sintomas como chiado, tosse ou resfriado. Algumas evoluirão para quadros graves e necessitarão de internação”.

O risco é ainda maior entre bebês prematuros, cuja taxa de mortalidade é sete vezes superior à de crianças nascidas a termo. Entre 2018 e 2024, foram registradas cerca de 83 mil internações de prematuros por complicações associadas ao VSR.

Como funciona a vacina Abrysvo

A vacina é aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação. Produzida com tecnologia de engenharia genética, ela utiliza a proteína S do vírus para estimular a produção de anticorpos na mãe, que são transferidos ao bebê por meio da placenta. Estudos indicam que a imunização pode evitar até 28 mil internações por ano no país.

Durante a XXVII Jornada Nacional de Imunizações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Éder Gatti, confirmou que a vacinação de gestantes começará ainda em 2025. “Estamos trabalhando para vacinar gestantes ainda este ano, para proteger os bebês durante a temporada do próximo ano, graças aos anticorpos maternos oferecidos pela vacina”, afirmou.

Novo reforço previsto para 2026

Além da vacina, o Ministério da Saúde planeja incorporar em 2026 o anticorpo monoclonal Nirsevimabe, comercializado como Beyfortus pela Sanofi. Diferente da vacina, que induz a produção de anticorpos, o Nirsevimabe fornece proteção passiva ao bebê por meio da aplicação direta de anticorpos prontos.

O imunizante será indicado para:

  • Todos os recém-nascidos e bebês até 12 meses
  • Crianças de 13 a 24 meses com condições de risco, como doenças pulmonares, cardíacas, Síndrome de Down, fibrose cística, anomalias congênitas e imunodeficiências

Segundo Éder Gatti, a expectativa é que o Nirsevimabe esteja disponível para a temporada de VSR a partir de fevereiro de 2026. “Com as duas estratégias, todos os nascidos vivos terão acesso a alguma proteção contra o vírus, que provoca colapso nas terapias intensivas pediátricas todo ano. Será um avanço significativo em saúde pública”, concluiu.

A vacinação será realizada nas unidades básicas de saúde e pontos de imunização definidos por estados e municípios, que deverão organizar seus calendários locais a partir da chegada das doses.

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