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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da imagem:Walterson Rosa/MS

Brasil retoma produção de insulina após duas décadas

Após um hiato de 20 anos, o Brasil voltou a produzir lotes de insulina em território nacional, um marco significativo para a saúde pública. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sexta-feira, 11 de julho, durante visita à fábrica da Biomm, em Nova Lima, Minas Gerais. A retomada da produção, viabilizada por meio de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), envolve o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a empresa brasileira Biomm, que assumiram a fabricação do medicamento antes dependente de tecnologia transferida à farmacêutica indiana Wockhardt.

Na cerimônia, foram entregues ao Sistema Único de Saúde (SUS) 207.385 unidades de insulina, sendo 67.317 frascos de insulina regular e 140.068 de insulina NPH. Com a transferência completa da tecnologia, o país passará a suprir 50% da demanda do SUS por esses dois tipos de insulina, o equivalente a aproximadamente 45 milhões de doses anuais. A medida representa um avanço estratégico para reduzir a dependência de importações e garantir o abastecimento contínuo do medicamento, essencial para o tratamento de diabetes.

O ministro Padilha destacou a importância da iniciativa para a segurança dos pacientes. Cerca de 10% da população brasileira convive com diabetes, e muitos dependem da insulina fornecida pelo SUS para controlar a doença. A produção nacional, segundo ele, assegura estabilidade no fornecimento, especialmente em cenários de crises globais, como a pandemia de covid-19, que expôs vulnerabilidades na cadeia de suprimentos de medicamentos. Com investimentos de R$ 142 milhões na aquisição da tecnologia, a expectativa é que 350 mil pessoas sejam beneficiadas diretamente. Contratos firmados preveem a entrega de 8,01 milhões de unidades, entre frascos e canetas, ao longo de 2025 e 2026.

Além da produção de insulinas NPH e regular, o Brasil também avançou na fabricação de insulina glargina, aprovada em uma nova PDP no início de 2025. O projeto, que reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee, tem como meta inicial produzir 20 milhões de frascos para atender pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2. A iniciativa está alinhada à Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que busca fortalecer a autonomia do país na produção de medicamentos e insumos estratégicos.

O SUS oferece assistência integral aos pacientes com diabetes, incluindo diagnóstico, acompanhamento médico e fornecimento de medicamentos. Atualmente, a rede pública disponibiliza quatro tipos de insulina – humanas NPH e regular, além de análogas de ação rápida e prolongada – e outros tratamentos, como medicamentos orais e injetáveis. A retomada da produção nacional não apenas reforça a capacidade do sistema de saúde em atender à demanda, mas também simboliza um passo importante na construção de uma indústria farmacêutica mais robusta e independente no Brasil.

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