O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu um dia de tensão nesta quinta-feira (12), quando o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações sobre o Banco Master. A redistribuição foi feita após reunião reservada convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e resultou na escolha do ministro André Mendonça como novo relator, por sorteio eletrônico interno.
Contexto da saída
A decisão veio na esteira de um relatório da Polícia Federal, enviado ao STF na última segunda-feira (9), que trouxe menções ao nome de Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento está sob sigilo, mas gerou questionamentos sobre possível suspeição.
Em nota conjunta, assinada por todos os ministros — inclusive Toffoli —, o STF afirmou que não se trata de caso de suspeição, reconheceu a validade de todos os atos já praticados pelo magistrado e expressou apoio pessoal ao colega.
Reunião tensa e decisão institucional
Segundo relatos de integrantes da Corte, a reunião começou tensa, mas Toffoli foi convencido a deixar a relatoria como resposta institucional à sociedade. Em sua fala, o ministro garantiu não ter tomado nenhuma medida ilegal e afirmou que não há nada que possa desaboná-lo.
Em nota, Toffoli também esclareceu sua participação societária na empresa Maridt, administrada por familiares, e negou qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro. Ele destacou que sua condição societária está em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas atos de gestão por magistrados.
Histórico das investigações
- Dezembro de 2025: Caso Banco Master chega ao STF, após tramitar na Justiça Federal em Brasília.
- Fim de 2025: Toffoli determina depoimentos e acareações.
- Janeiro de 2026: Autoriza prorrogação das investigações e operação da PF com buscas em endereços ligados a Vorcaro e familiares.
- Fevereiro de 2026: Relatório da PF cita o nome de Toffoli, levando à redistribuição da relatoria.
Novo relator
Com a saída de Toffoli, o ministro André Mendonça assume a condução do inquérito, que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, incluindo suspeitas de irregularidades no sistema financeiro e triangulações empresariais. Mendonça terá a missão de decidir sobre diligências pendentes e avaliar a manutenção do caso no STF.