Santa Catarina enfrenta mais um período de pressão sobre a rede hospitalar. Dados divulgados nesta terça-feira (23) pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que seis das oito regiões monitoradas pelo Centro de Informações Estratégicas para a Gestão do Sistema Único de Saúde (Ciege) registram taxa de ocupação acima de 90% nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A situação mais crítica foi registrada no Grande Oeste, com 98% de ocupação. Em seguida aparecem a Serra Catarinense (96,5%), a Grande Florianópolis (96,3%), o Planalto Norte e Nordeste (95,8%) e o Meio-Oeste (95,5%). O Vale do Itajaí também está em nível de atenção, com 90,4%.
Em todo o estado, a taxa média de ocupação das UTIs alcança 92%. Dos 1.433 leitos ativos, 1.319 estão ocupados e apenas 114 permanecem disponíveis.
UTIs neonatais e pediátricas próximas do limite
O cenário preocupa também nas unidades destinadas ao atendimento infantil e neonatal. Nas UTIs neonatais, o Grande Oeste, a Serra Catarinense e o Foz do Rio Itajaí operam com 100% de ocupação. O Meio-Oeste registra 95,7%, enquanto a Grande Florianópolis chega a 93%.
Nas UTIs pediátricas, o quadro é semelhante: Grande Oeste e Foz do Rio Itajaí atingiram ocupação máxima. O Planalto Norte e Nordeste aparece com 97,4%, seguido por Meio-Oeste, Serra Catarinense e Grande Florianópolis, todas acima de 90%.
Leitos adultos concentram maior demanda
A maior pressão está nos leitos adultos. O Meio-Oeste lidera com 99,1% de ocupação, seguido por Planalto Norte e Nordeste (98,5%), Vale do Itajaí (98,2%), Grande Florianópolis (97,4%) e Grande Oeste (97,1%). Apenas o Sul do estado permanece abaixo de 90%, com 85,1%.
Atualmente, Santa Catarina registra 94,8% de ocupação nas UTIs adultas e 77,8% nas neonatais.
Casos respiratórios impulsionam demanda hospitalar
Segundo a SES, o aumento está diretamente relacionado à maior circulação de vírus respiratórios. Em 2026, já foram confirmados cerca de 5,9 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição que frequentemente exige internação hospitalar e suporte intensivo.
A secretaria reforça a importância da vacinação contra influenza, especialmente entre idosos e crianças, considerados os grupos mais vulneráveis.
Estado amplia estrutura para atender demanda
A SES destaca que Santa Catarina foi o estado que mais ampliou a rede pública de UTIs nos últimos anos. Desde 2023, mais de 300 novos leitos foram abertos entre unidades para adultos, crianças e recém-nascidos. Para 2026, está prevista a criação de mais 80 vagas, incluindo 14 novos leitos de UTI adulto no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, e 10 no Hospital de Itapema.
Atualmente, o sistema catarinense conta com 39 leitos adultos, 32 neonatais e 42 pediátricos disponíveis. A SES ressalta que a regulação funciona em rede e, quando não há vaga em determinada região, pacientes podem ser encaminhados para outros hospitais públicos ou privados conveniados.