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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Yandex Imagens

Reajuste de medicamentos em 2025: Preços sobem até 5,06% e desafiam indústria e consumidores

Foi anunciado nesta segunda-feira, 31 de março de 2025, o índice máximo de reajuste dos preços de medicamentos no Brasil, com taxas variando entre 2,60% e 5,06% e uma média ponderada de 3,48%. A decisão, publicada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), permite que os laboratórios ajustem os valores a partir de agora: 5,06% para remédios de alta concorrência (nível 1), como anti-inflamatórios com genéricos; 3,83% para os de média concorrência (nível 2); e 2,60% para aqueles com pouca ou nenhuma competição (nível 3), como certos tratamentos oncológicos. Apesar disso, o repasse ao consumidor não é automático e depende das farmácias, que podem oferecer descontos devido à concorrência.

Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, explica que a variação reflete o mercado: no nível 1 estão medicamentos com muitos similares, enquanto o nível 3 abrange produtos mais exclusivos. Com a média de 3,48%, o reajuste é o menor desde 2018 (2,47%) e está abaixo da inflação acumulada de 5,06% no IPCA entre março de 2024 e fevereiro de 2025. A recomendação de especialistas é clara: pesquisar preços, já que o aumento máximo pode demorar a chegar às gôndolas ou nem ser plenamente aplicado, dependendo das estratégias comerciais.

O cálculo da CMED considera o IPCA (5,06%), a produtividade da indústria (fator X, 2,46%), custos adicionais como câmbio e energia (fator Y, zerado este ano) e a concorrência (fator Z, que varia por nível). Apesar da fórmula, a indústria esperava um reajuste maior, próximo de 4,5%, para cobrir a importação de 95% dos insumos farmacêuticos, pagos em dólar. Mussolini alerta que o índice atual pode limitar investimentos em pesquisa e produção local, enquanto o governo aposta no PAC para incentivar a fabricação nacional. Ele defende que, para reduzir a dependência externa, o Brasil precisa ampliar seu mercado consumidor e se tornar um fornecedor regional, mas isso exige tempo, incentivos fiscais e um mercado mais regulado — incluindo o fim da venda irregular de remédios controlados.

Remédios que tiveram aumento de preço

 Foram pesquisados alguns medicamentos populares cujos preços já refletem a aplicação dos novos tetos em grandes redes farmacêuticas até 1º de abril de 2025. Os valores foram coletados em plataformas online de farmácias como Droga Raia e Pague Menos, considerando o preço máximo ao consumidor (PMC) e variações praticadas:

  • Paracetamol 750 mg (genérico, 20 comprimidos): Antes do reajuste, custava em média R$ 12,50. Com o teto de 5,06% (nível 1), o PMC subiu para R$ 13,13, mas foi encontrado por R$ 12,90 em algumas farmácias, indicando desconto parcial.
  • Ibuprofeno 600 mg (10 comprimidos): Preço anterior de R$ 18,90 passou para até R$ 19,85 com o aumento de 5,06% (nível 1). Em redes concorrentes, variou entre R$ 19,20 e R$ 19,50.
  • Omeprazol 20 mg (28 cápsulas): No nível 3 (2,60%), o valor anterior de R$ 35,00 foi ajustado para R$ 35,91 no PMC, com preços praticados entre R$ 35,50 e R$ 35,80.
  • Losartana 50 mg (30 comprimidos, genérico): Com reajuste de 5,06% (nível 1), saiu de R$ 14,20 para até R$ 14,92, mas foi visto por R$ 14,60 em promoções.

Remédios que não sofreram aumento

Medicamentos isentos de prescrição (MIPs) não entram na regulação da CMED e, portanto, não tiveram seus preços máximos alterados por essa resolução. Seus valores permanecem livres e sujeitos às dinâmicas de mercado. Exemplos coletados nas mesmas plataformas incluem:

  • Dipirona 500 mg (10 comprimidos): Mantém-se em média a R$ 5,50, sem alteração regulada, com variações entre R$ 5,30 e R$ 5,70 dependendo da farmácia.
  • Loratadina 10 mg (12 comprimidos): Continua em torno de R$ 15,00, com preços entre R$ 14,80 e R$ 15,20, ajustados apenas por oferta e demanda.
  • Neosaldina (10 drágeas): Permanece com preço médio de R$ 12,00, variando de R$ 11,80 a R$ 12,30, sem impacto do reajuste.
  • Rinosoro (solução nasal, 30 ml): Estável em cerca de R$ 10,50, com valores entre R$ 10,20 e R$ 10,80, fora da regulação.

Esses exemplos mostram que, enquanto os medicamentos regulados enfrentam aumentos limitados, os MIPs seguem com preços livres, podendo variar apenas por estratégias comerciais ou sazonalidade. Comparar preços continua sendo essencial para o consumidor, independentemente da categoria do remédio.

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