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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Créditos da Imagem: Reprodução/Adobe stock– Direitos reservados ao autor.

Preços dos combustíveis começam a subir em vários estados após escalada de tensões no Oriente Médio

O preço dos combustíveis iniciou trajetória de alta em diversos estados brasileiros após a escalada das tensões internacionais envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que impactaram diretamente o mercado global de petróleo. Um levantamento realizado pelo portal Metrópoles junto a entidades do setor revelou que distribuidoras já começaram a repassar aumentos aos postos em várias regiões do país.

Em alguns casos, o diesel foi entregue com reajuste de até R$ 0,80 por litro, o que deve refletir no preço final ao consumidor nas bombas. A reportagem contatou postos em todos os 26 estados, mas obteve retorno de apenas oito unidades da federação. O Sindicato do Distrito Federal já havia alertado sobre reajustes na última quarta-feira (4).

Em Santa Catarina, as informações indicam que as distribuidoras ainda não repassaram aumentos aos postos, mantendo os preços estáveis no estado neste momento.

Reajustes já aplicados em estados específicos

Entidades do setor confirmaram aumentos em distribuidoras de Bahia, Goiás, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Na Bahia, o Sindicombustíveis informou que uma distribuidora aplicou reajustes na quarta e quinta-feira (5/3), elevando a gasolina em R$ 0,30 e o diesel em até R$ 0,80 por litro. Situação semelhante ocorreu no Rio Grande do Norte.

O Sindipostos RN detalhou: “Somente esta semana, a gasolina A saltou de R$ 2,5915 para R$ 2,8915 por litro — alta de R$ 0,30 no produto puro, com impacto estimado de R$ 0,21 por litro na gasolina comum vendida ao consumidor (que leva 70% de gasolina A na mistura). O Diesel S500, por sua vez, passou de R$ 3,3225 para R$ 4,0725 — aumento de R$ 0,75 no produto puro, com impacto de R$ 0,6375 no diesel misturado vendido nos postos”.

Política de preços da Petrobras e contexto internacional

A Petrobras mantém a política de preços alinhada à paridade internacional, mas busca alternativas para mitigar repasses bruscos ao consumidor brasileiro, preservando competitividade no mercado interno. Apesar de não haver anúncio oficial de reajuste pela estatal, as distribuidoras já reagiram à valorização do petróleo.

O conflito teve início em 28 de fevereiro de 2026 e provocou forte alta no barril do tipo Brent — referência mundial. No domingo (1º/3), a cotação subiu cerca de 10%, alcançando US$ 80. Na sexta-feira seguinte, contratos futuros indicaram nova alta de 9,23%, com o barril negociado a aproximadamente US$ 93 durante a tarde.

Um dos principais fatores de instabilidade é o Estreito de Ormuz, rota pela qual passa 20% a 25% do petróleo global. Qualquer interrupção na região pode agravar a crise de oferta.

Embora o Brasil não dependa diretamente do petróleo transportado por esse canal, as oscilações internacionais influenciam inevitavelmente os preços internos.

Perspectiva de reajustes nas próximas semanas

Especialistas avaliam que a combinação de alta do petróleo e valorização do dólar deve pressionar ainda mais os preços nas próximas semanas. O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, Robson Gonçalves, afirmou: “A gente está tendo uma combinação de alta do preço internacional com alta do dólar. Para não descapitalizar a Petrobras, eu acho muito difícil que não haja algum nível de repasse. O que provavelmente a companhia vai fazer é esperar mais alguns dias, talvez uma semana, 15 dias para ver se há uma reversão desses preços porque eles estão muito voláteis”.

A declaração vai ao encontro da posição da presidente da Petrobras, Magda Chambriard: “(A gente vai seguir) observando atentamente. Toda vez que esse mercado fica nervoso, como está agora, nós analisamos isso diariamente. Quando ele está calmo, uma semana, 15 dias. Neste momento a gente está olhando para isso todos os dias e vamos ver em que ponto vamos atuar ou se essa coisa se reverte”.

O cenário reforça a volatilidade do mercado de combustíveis e a sensibilidade dos preços internos às oscilações globais, especialmente em momentos de tensão geopolítica no Oriente Médio. Consumidores devem acompanhar os próximos dias para possíveis ajustes nas bombas.

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