A busca pelo emagrecimento rápido acendeu um alerta de saúde pública e segurança no Brasil. A Polícia Federal (PF) registrou um crescimento de 172% nas apreensões de medicamentos emagrecedores ilegais no primeiro semestre de 2026. Entre os produtos estão as chamadas “canetas”, além de ampolas e frascos.
Segundo levantamento da corporação, até junho foram recolhidas 165.589 unidades, número que já supera em mais de duas vezes o total de 2025, quando houve 60.865 apreensões. O pico ocorreu em maio, com mais de 51 mil unidades confiscadas em fiscalizações, abordagens rodoviárias e operações com mandados judiciais.
O principal ponto de entrada desses produtos é a fronteira terrestre com o Paraguai, especialmente pelas regiões de Foz do Iguaçu (PR) e Mato Grosso do Sul. A partir dali, organizações criminosas utilizam rodovias para abastecer grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. A PF também identificou o uso de cargas menores enviadas por transporte aéreo e pelos Correios, em compras realizadas pela internet. Os estados com maior volume de apreensões são Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo.
A diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Karen de Marca, alerta para os riscos do consumo desses produtos. Segundo ela, medicamentos contrabandeados ou falsificados podem conter substâncias não declaradas ou concentrações inadequadas, elevando drasticamente o risco de efeitos adversos. “Um produto adulterado pode apresentar doses muito acima do recomendado, aumentando o risco de complicações severas”, afirmou.
A recomendação médica é clara: o uso dessas substâncias só deve ocorrer com prescrição de especialista e aquisição em estabelecimentos farmacêuticos autorizados. O crescimento das apreensões reforça a preocupação das autoridades com a disseminação de produtos ilegais e os impactos potenciais na saúde da população.