A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 2 de julho de 2025, expõe um cenário de crescente desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os deputados federais. Com 46% dos parlamentares avaliando a gestão como negativa — o pior índice desde o início do mandato em 2023 —, apenas 27% a consideram positiva, marcando o menor nível de aprovação já registrado. Realizado entre 7 de maio e 30 de junho de 2025, o levantamento entrevistou 203 deputados, cerca de 40% da Câmara dos Deputados, seguindo critérios regionais e ideológicos baseados no projeto Brazilian Legislative Surveys. A margem de erro é de 4,5 pontos percentuais. A insatisfação com o governo Lula, impulsionada por questões econômicas e escândalos como o do INSS, reflete-se também na percepção sobre a relação com o Congresso e nas projeções para a eleição de 2026, com a oposição ganhando força.
Tabela Detalhada: Dados da Pesquisa Genial/Quaest (Julho 2025)
| Categoria | Detalhes |
|---|---|
| Período da coleta | 7 de maio a 30 de junho de 2025 |
| Amostra | 203 deputados federais (40% da Câmara) |
| Margem de erro | ±4,5 pontos percentuais |
| Avaliação geral do governo Lula | Positiva: 27% (era 35% em ago/2023) Negativa: 46% (era 33% em ago/2023) Regular: 24% Não sabe/não respondeu: 3% |
| Avaliação por grupo ideológico | Governistas: 71% positiva (era 74% em 2023), 2% negativa (era 3%) Oposicionistas: 96% negativa (era 94%), 0% positiva Independentes: 8% positiva (era 18%), 44% negativa (era 20%), 44% regular |
| Avaliação por ideologia | Esquerda: 84% positiva, 16% regular, 0% negativa Direita: 86% negativa, 10% regular, 2% positiva Centro: 53% regular, 24% negativa, 23% positiva |
| Avaliação por região | Nordeste: 37% positiva, 33% negativa, 30% regular (empate técnico) Sudeste: 51% negativa, 24% positiva Sul: 57% negativa, 21% positiva Centro-Oeste e Norte: 47% negativa, 20% positiva |
| Relação governo-Congresso | Negativa: 51% (era 41% em 2023) Regular: 30% (era 32%) Positiva: 18% (era 24%) Não sabe/não respondeu: 1% (era 2%) |
| Perspectiva para 2026 | 68% acreditam que Lula será candidato 50% veem oposicionista como favorito 35% apostam em Lula ou candidato governista Oposição (menções espontâneas): Tarcísio de Freitas (49%), Jair Bolsonaro (13%) |
| Outras pautas | 70% apoiam veto à escala 6×1 49% dizem que STF “sempre” invade competências do Congresso 68% aprovam gestão de Hugo Motta (presidente da Câmara) |
| Principais problemas citados | Economia (principal preocupação) Violência (segunda maior citação) |
Análise dos Resultados
O aumento da avaliação negativa, de 33% em agosto de 2023 para 46% em julho de 2025, reflete um desgaste significativo, especialmente entre deputados independentes, cuja desaprovação saltou de 20% para 44%. A economia, agravada por inflação persistente e a crise do INSS, foi apontada como o principal problema do país, seguida pela violência, que ganhou destaque entre os parlamentares. A relação do governo com o Congresso também piorou, com 51% dos deputados considerando-a negativa, um salto de 10 pontos em relação a 2023.
Regionalmente, o Nordeste é a única região onde a aprovação (37%) se equipara à desaprovação (33%), enquanto Sudeste (51%) e Sul (57%) registram os maiores índices de rejeição. Ideologicamente, a polarização é clara: a esquerda mantém forte apoio (84% positiva), enquanto a direita é quase unânime na rejeição (86% negativa). O centro, com 53% classificando a gestão como regular, reflete uma postura mais neutra, mas com viés crítico.
Para 2026, a pesquisa indica que 68% dos deputados esperam que Lula dispute a reeleição, mas 50% acreditam que um candidato de oposição, como Tarcísio de Freitas (49% das menções espontâneas) ou Jair Bolsonaro (13%), teria mais chances de vitória. A percepção de interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) no Congresso, apontada por 49% dos deputados, e a alta aprovação do presidente da Câmara, Hugo Motta (68%), sugerem um cenário de tensão institucional e busca por equilíbrio político.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, aponta um governo Lula sob pressão, enfrentando desafios para recuperar apoio no Congresso e na sociedade, em meio a um cenário econômico delicado e polarização persistente.