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    Rádio Alvorada 94.5 - Santa Cecília
Foto: Reprodução

Tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil começa a valer

Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pela Casa Branca, atinge cerca de 20% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano. Estimativas da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) apontam impacto entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.

Entre os 2,3 mil itens afetados, destacam-se eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Aproximadamente 700 produtos ficaram isentos da tarifa, número superior ao previsto inicialmente nas negociações. O mercado norte-americano é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e responde por cerca de um quarto das vendas externas de máquinas e equipamentos.

Os estados de São Paulo (SP) e Santa Catarina (SC) concentram mais da metade do impacto da medida. São Paulo responde por 41,6% do valor das exportações atingidas, enquanto Santa Catarina tem 68% de suas vendas aos EUA afetadas, segundo dados da Apex-Brasil.

Justificativas e reação diplomática

O tarifaço foi resultado de processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que alegou práticas consideradas “desleais” por parte do Brasil. Entre os pontos citados estão regulação de pagamentos eletrônicos, redes sociais, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual e acordos preferenciais com México e Índia.

O governo brasileiro rejeitou as justificativas, classificando-as como motivadas politicamente. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os negociadores norte-americanos exigiam abertura de mercados sem oferecer contrapartidas.

Medidas de apoio e diversificação

Em resposta, o governo brasileiro anunciou a retomada de programas de apoio aos setores afetados, incluindo linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de medidas para facilitar o escoamento de produtos a outros mercados. Também avalia flexibilizar regras de isenção e restituição de tributos sobre insumos destinados à exportação.

A Apex-Brasil informou que lançará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificar destinos das exportações brasileiras. O foco será ampliar a presença na União Europeia, em países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) — como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã — e em nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão.

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