A Receita Federal registrou um novo recorde na entrega das Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026. Ao todo, foram recebidas 44.393.571 declarações dentro do prazo, número superior à expectativa inicial de 44 milhões. O resultado representa crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior, quando 43,3 milhões de contribuintes cumpriram a obrigação no período estabelecido.
Um dos destaques da campanha foi o aumento do uso da declaração pré-preenchida, presente em 59,8% dos envios, o maior percentual já registrado. Apesar da praticidade, a Receita Federal reforça que o contribuinte continua responsável por conferir todas as informações antes da transmissão, já que os dados são fornecidos por terceiros e podem conter inconsistências.
Ferramentas digitais em expansão
O sistema Meu Imposto de Renda (MIR) também registrou crescimento e foi responsável por 22% das transmissões, alcançando o maior índice da série. O Programa Gerador da Declaração (PGD), no entanto, segue como principal canal, concentrando 78% dos envios.
Neste ano, o calendário de restituições foi reduzido de cinco para quatro lotes, permitindo conclusão mais rápida dos pagamentos. Cerca de 56% das declarações têm direito à restituição. O primeiro lote, pago em 29 de maio, somou R$ 16 bilhões, beneficiando quase 9 milhões de contribuintes. A previsão é que, até o segundo lote, programado para 30 de junho, aproximadamente 80% dos contribuintes com crédito já tenham recebido os valores. Os demais pagamentos ocorrerão em 31 de julho e 31 de agosto.
Consequências para quem perdeu o prazo
Os contribuintes que não entregaram a declaração devem regularizar a situação o quanto antes, utilizando o PGD, o portal e-CAC ou o aplicativo Meu Imposto de Renda. O atraso gera multa mínima de R$ 165,74, que pode aumentar conforme o imposto devido. Além disso, o CPF pode ficar com status de “pendente de regularização”, dificultando abertura de empresas e operações financeiras.
Destinação de recursos sociais
As destinações realizadas diretamente na declaração para os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente e para os Fundos dos Direitos da Pessoa Idosa somaram R$ 419,64 milhões em 2026. O valor é superior ao registrado em 2025, mas ainda está muito abaixo do potencial estimado pela Receita Federal, de aproximadamente R$ 16,7 bilhões. O mecanismo permite que contribuintes direcionem parte do imposto devido a projetos sociais sem custos adicionais.